Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 03/09/2020
Na idade média, o uso de enciclopédias servia não só para o indivíduo agregar conhecimentos do mundo, como também para o conhecimento sobre si mesmo. Atualmente, entretanto, o uso de livros para esse fim não é tão comum quanto os meios digitais, que ao invés de despertar o autoconhecimento, indicam produtos e serviços para esse indivíduo. Tais influências digitais corroboram para dois grandes problemas, a saber: a sutil imposição de preferências ao indivíduo e a construção de comportamentos consumistas.
Mormente, é válido reconhecer que os anúncios de bens de consumo nas plataformas digitais são impostos. Para o sociólogo Georg Simmel, relações de interesse mútuo, como os das mídias sociais com os usuários, geram conflitos. Esses conflitos eram vistos, por Simmel, como algo benéfico já que através da sua resolução a consciência individual seria enriquecida. Entretanto, já que as plataformas trazem seus interesses de forma sutil e camuflada, o usuário não percebe a oposição entre seus reais interesses e os impostos por essa plataforma, e acaba, assim, por aceitar preferências que não as suas próprias.
Outrossim, o consumo dos produtos e serviços ofertados nas redes alimentam os comportamentos consumistas da sociedade. A organização política e econômica capitalista, que visa o acúmulo de capital pelas empresas, se beneficia desses comportamentos inconscientes, e investe nas propagandas que circulam nos meios digitais. Dessa forma, a falta de conhecimento sobre suas próprias necessidades incita o consumidor a comprar produtos não necessários.
Portanto, cabe ao Poder Legislativo a criação de leis nacionais que obriguem as plataformas digitais a serem transparentes quanto aos anúncios em seus sites, de modo que fique claro ao usuário o motivo das ofertas de produtos estarem ali, como também dê a escolha a esse usuário de ver ou não esses anúncios. É dessa forma que o autoconhecimento na era digital será enriquecido.