Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 04/09/2020
No filme Matrix, o protagonista, Neo, descobre que sua vida não passava de uma projeção controlada por um sistema. Após a descoberta, ele decide sair em busca de um meio para vencer essa manipulação. Durante sua procura, ele encontra no oráculo a frase “temet nosce” (“conhece-te a ti mesmo”). Esta mensagem o faz perceber que só teria controle quando conhecesse seu eu. Análogo à situação apresentada no filme, os usuários da internet na era digital, não tendo o conhecimento de si mesmos, dos seus gostos e porquê fazem suas escolhas, estão sendo manipuladas por logarítimos e influenciadores da internet a comprar, a se vestir, a sorrir como as imagens na tela.
Hoje em dia, cookies armazenam informações e arquivos enquanto o usuário navega pela internet. Esses, traçam um perfil de cada cliente nos sites que eles visitam. Assim, um universo cultural e complacente com o gosto do consumidor é construído. Porém, essa facilidade pode estar gerando, o que, segundo o jornalista, Daniel Verdú, do jornal El Paris, disse, uma ilusão de liberdade de escolha que muitas vezes é gerada por algorítimos. Consoante a este pensamento, o Dr. Tom Chatfield, escritor e filósofo da tecnologia, disse: “ Quanto mais os sistemas souberem sobre você em comparação ao que você sabe sobre eles, há mais riscos de suas escolhas se tornarem apenas uma série de reações a ‘cutucadas’ invisíveis”.
Diante de tais pensamentos, surge um questionamento: a população está tomando as decisões ou está reproduzindo o que vê? Um exemplo da falta de autenticidade dos brasileiros neste tempo, é a lista de assuntos e dúvidas que os brasileiros mais pesquisam no buscador do Google, do ano passado. Essa, no ranking de 10 itens da lista de “como fazer”, o terceiro lugar ficou com “Como fazer que as pessoas gostem de mim”. A psicóloga, Marena Petra, diz que “por ter apresentado uma maior parte das buscas, isso é um indicativo do mundo contemporâneo, que é exigente e que de certo modo requer respostas de fora quando na verdade o mais importante é buscar apoio emocional para que cada um escute e apresente as próprias respostas diante de alguma questão ou impasse”.
Portanto, vê-se a necessidade de conhecer como os sistemas funcionam, não apenas os que estão diante dos olhos, mas também a máquina que opera atrás deles, a fim de alcançar a espontaneidade no viver. Para isso, a Secretaria de Educação, em parceria com as escolas, implantaria a disciplina “conhecer e navegar”, nas escolas de ensino fundamental e médio. Essa, ocuparia apenas um horário por semana de cada turma, aonde os alunos aprenderiam sobre si e como sua mente funciona com uma psicóloga e com um técnico de informática aprenderiam como navegar de forma consciente. Desse modo, uniriam o conhecer de si com o conhecer do novo que já chegou.