Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 12/09/2020

“Black Mirror” é uma série britânica a qual faz reflexões sobre a humanidade e tecnologia. Em um dos episódios, é possível observar como as notas recebidas nos perfis online afetam o cotidiano da protagonista, levando-a ao surto psicótico. Não distante da ficção, o Brasil enfrenta os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital, seja pelo comprometimento da singularidade do indivíduo, seja instabilidade emocional.

Em primeiro plano, desde o início da globalização ocorre a padronização dos hábitos. Com isso, a disseminação das redes sociais, sendo utilizadas por seis em cada dez brasileiros, segundo a “BBC News”, corrobora o cenário da uniformização cultural, na medida que pessoas compartilham seus hábitos de forma rápida e massificada. Porém, a incapacidade de distinguir o que é real faz com que a população seja manipulada com facilidade, extinguindo a individualidade do ser. Portanto, é imprescindível que o Estado se prontifique a reverter esse quadro.

Em segundo plano, a inteligência emocional está associada ao conhecimento da pessoa de si mesma. Assim, o autoconhecimento perante o acesso de perfis online é fator para a estabilidade psicológica. Entretanto, quatro em cada dez indivíduos relatou as redes sociais como motivador para ansiedade e depressão, segundo pesquisas da Fundação Getúlio Vargas. Logo, ações governamentais devem ser tomadas para melhorar a saúde psicofísica da sociedade.

Dessa forma, com o intuito de amenizar a problemática, o Ministério da educação deve inserir discussões sobre o autoconhecimento nas escolas, por intermédio de palestras, que informem sobre os malefícios da falta de pensamento crítico perante as redes sociais, a fim de formar cidadãos mais conscientes. Ademais, cabe ao Governo promover cursos gratuitos sobre inteligência emocional, por meio de plataformas online, com o objetivo de multiplicar conhecimento. Feito isso, o conflito vivenciado na série não se tornara realidade.