Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 08/10/2020
A chegada das redes sociais, no início do século 21, possibilitou uma mudança histórica nas relações e nas comunicações humanas. Hodiernamente, o grande montante de usuários revela a quantidade de opiniões a respeito de uma única pessoa. Além disso, o alvo dessa pressão tem a sua pessoalidade ferida, pois a falta do autoconhecimento na contemporaneidade leva à busca pela aceitação pública e à manipulação do indivíduo, essa problemática deve ser debatida
Nessa perspectiva, é notória a presença da aprovação pública nas redes sociais e, consequentemente, na era digital. Nesse sentido, a ausência da autogose intensifica a procura pelos padrões impostos pela sociedade, criando, assim, perfis virtuais que diferem das características reais da pessoa. Tangente ao exposto, no livro “O Espelho”, do Machado de Assis, é contada a teoria do protagonista em que a alma humana é divide-se em uma exterior e outra interior, sendo a primeira a aparente e a segunda a real. Nesse contexto, a ausência da alma interior, autognosia, e a permanência apenas da exterior, perfis virtuais, leva à perda da identidade, relacionando-se, dessa maneira, ao reflexo borrado do personagem da obra. Percebe-se, então, que a busca pela essência exterior, aceitação pública, ocorre pela falta da interior e permite a perda da personalidade.
Ademais, com o avanço das inteligências artificiais e com o acesso das empresas aos dados dos internautas, é possível fornecer propagandas personalizadas a um determinado cidadão e, assim, condicionar ações. Desse modo, a falta do conhecimento próprio permite essa influência, pois a interferência no pensamento humano cria a falsa sensação de vontade própria, algo que seria evitado se o sujeito percebesse a alteração na própria escolha. Consoante ao exposto, o documentário “The Social Dillema” demostra como as propagandas direcionadas aproveitam de uma característica do cérebro humano para influenciar o pensamento. Mostra-se, pois, a vulnerabilidade da mente perante a falta de conhecimento de si mesmo.
Infere-se, portanto, que a ausência do autoconhecimento leva à busca pela aprovação pública e à manipulação do usuário. Sendo assim, para reverter esse cenário, cabe ao Ministério da Educação promover o ensino do conhecimento próprio desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio, por meio da introdução de uma matéria sobre o assunto na base curricular. Além disso, as aulas ocorrerão 2 vezes por semana, com o fito de garantir a independência intelectual e promover a heautognose. Dessa forma, será feito um bom uso das inovações do século 21 e garantirá a particularidade de cada cidadão.