Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 12/10/2020

A agenda ONU (Organização das Nações Unidas) 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de bem-estar. Porém, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto são os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital. Nesse sentido, seu problema deriva da tentativa desenfreada de adaptação aos grupos sociais e tem como consequência a padronização dos gostos populacionais.

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a busca extrema de aceitação social é um problema. Nessa ótica, segundo Carl Jug, arquétipo de pessoa é um padrão comportamental que auxilia na adaptação aos diferentes âmbitos populacionais. No entanto, muitas vezes, leva, inconscientemente, a adoção de certos comportamentos fictícios para ser bem visto pela sociedade, por exemplo, a compra de determinadas roupas e acessórios, que não são próprios do gosto pessoal, mas servem para a integração digital e social. Logo, é inaceitável que, hodiernamente, seja exigido essa busca eloquente de aceitação, o que fere e impede diretamente o autoconhecimento populacional, uma vez que quando não seguido tal arquétipo o indivíduo é segregado socialmente.

Além disso, é imperativo ressaltar que a padronização dos gostos populacionais é um efeito da falta do autoconhecimento na era digital. Nessa perspectiva, de acordo com Guy Debord, na obra “Sociedade do espetáculo”, a valorização da dimensão visual de comunicação, por meio das imagens, é utilizada como instrumento de influência social. Evidentemente, tal manipulação é voltada, principalmente, para o âmbito do consumo, em que é posto uma constante necessidade de comprar coisas novas, já que as pessoas que não seguem tal dominação são julgadas como retrógadas. Sendo assim, é intolerável que grande parte da população, pela falta de autoconhecimento e manipuladas pelos elementos visuais, não possam voltar seus gostos para aquilo que desejam.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas a fim de minimizar os impactos da falta de autoconhecimento na era digital. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado - Ministério da Tecnologia, integrado com o Ministério da Saúde - crie propostas que visem combater a busca extrema pela aceitação. Isso será feito mediante a criação de um site governamental, de domínio público, que contenha palestras de psicólogos e orientadores, com o objetivo de incentivar e tornar as pessoas mais confiantes de sua identidade. Dessa forma, pode-se chegar à realidade proposta pela ONU para 2030.