Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 13/10/2020
Platão, um dos pensadores mais conceituados da filosofia ocidental, deixou um grande legado em suas reflexões acerca do que pode ser considerado perfeito, ideal e eterno, concluindo que somente por meio de intensa reflexão intelectual o ser humano poderia vislumbrar tais características. Com esse pensamento, o filósofo elaborou a alegoria da caverna, na qual retrata indivíduos guiados por ilusões decorrente da falta de conhecimento e longe das verdades do mundo. Nessa ótica, a produção desse pensador se mostra extremamente atual, pois a falta de autoconhecimento na era digital está intimamente ligado ao esvaziamento dos valores humanos e à perda de propósitos de vida.
Primeiramente, cabe citar que o acesso precoce ao mundo virtual é um fator determinante na dificuldade dos jovens em lhe dar com tamanha exposição. Nesse cenário, pode-se exemplificar a atuação intensa de crianças e adolescentes em plataformas como Youtube, Facebook e Instagram. Esse processo coloca tais jovens em contato direto com esferas sociais extremamente padronizadas e que as conduzirão a seguir esse paradigma, formando uma geração de indivíduos preocupados em seguir o arquétipo mais aceito na cultura popular, sem se preocupar com seus valores pessoais e bem estar.
Consequentemente, percebe-se que, esvaindo-se os princípios individuais, o ser humano entra em um estado de abdicação completa de toda sua criatividade e propósitos, que, na sociologia, será chamado pelo célebre filósofo, Karl Marx, de processo alienatório. A partir desse pensamento, pode-se traçar uma analogia coerente desse fato com a morte por overdose de diversos artistas mundialmente conhecidos, além da elevação anual nos índices de uso frequente de ansiolíticos e antidepressivos. Esses fatos revelam que as consequências finais da falta de autoconhecimento na era virtual tem levado as sociedades a uma elevada taxa de depressão, uso de entorpecentes e suicídio. logo, tal situação requer intervenção estatal.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação enquadrar, na base curricular do ensino público, cursos de condicionamento ético nas diversas esferas sociais modernas, com destaque para a virtual. Esse projeto pode ser viabilizado por meio da especialização de mais profissionais nas áreas das ciências sociais voltadas para a pedagogia. Com isso, objetiva-se que os jovens adquiram um caráter reflexivo em sua conduta no mundo moderno, principalmente nas redes virtuais. Por fim, para melhor adaptação da comunidade escolar ao projeto, faz-se necessário uma rotina prática que envolva os elementos do meio virtual - plataformas sociais supracitadas - para análise eficaz das ações de cada internauta e suas respectivas consequências.