Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 06/07/2023
Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura o desenvolvimento tecnológico como meta nacional e imputa ao Estado o dever de provê-lo. Entretanto, para que o uso dos novos recursos digitais seja seguro, é impreterível que os usuários sejam orientados acerca de formas adequadas de navegação, o que pode ser alcançado por meio de projetos educacionais que proporcionem o autoconhecimento. Diante disso, para corroborar com a tutela constitucional supracitada, cabe ao Estado viabilizar o progresso tecnológico harmonioso e, à sociedade, cabe conscientizar-se do seu papel frente ao tema.
Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é importante para a homeostase (equilíbrio) no uso da internet. Nesse contexto, tal assertiva é ratificada pelo entendimento do pedagogo Dermeval Saviani, na obra “Pedagogia Histórico-Crítica”, na qual defende a necessidade de substituir a formação de viés tecnicista atual por um ensino mais plural e voltado para o autoconhecimento. Desse modo, Saviani sustenta que é papel governamental a orientação dessa transição, sem a qual os cidadãos permanecem passíveis de manipulação ideológica, a exemplo do que ocorre com as publicidades digitais.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar que os políticos resolvam todas as mazelas sociais. Por outro lado, DaMatta alega que resultados melhores surgem quando o povo é o agente ativo de mudança. Dessa forma, evidencia-se que a orientação sobre o uso responsável das redes é papel cidadão e deve ser iniciada precocemente, em âmbito familiar e nas escolas.
Isso posto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, Cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue na mitigação da problemática. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, de modo a manter a coerência dos trabalhos. Ademais, é mister que o tema seja abordado nas escolas e universidades, como previu Saviani. Assim de forma gradual, o país superará os entraves existentes.