Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/10/2020
O episódio “Queda livre”, do seriado britânico “Black Mirror”, narra uma realidade aparentemente futurista, em que as pessoas teriam suas personalidades moldadas pelo seu sucesso nas esferas digitais. Embora seja uma ficção, o efeito das mídias na autoimagem de seus usuários é uma questão internacional. Diante desse cenário, depreende-se que o autoconhecimento é censurado com o uso excessivo da internet, tendo como efeitos a manipulação de informações e, consequente, de opiniões, e a hipersensibilidade dos jovens frente a sua imagem nas redes.
Em primeira análise, percebe-se que um dos resultados da transmissão de mensagens e informações de forma instantânea é a manipulação de notícias que circulam pelos aparelhos celulares. Nesse sentido, segundo estudos realizados para a produção do documentário “O dilema das redes”, as recentes eleições presidenciais nos Estados Unidos, Brasil e em vários outros países foram influenciadas, principalmente, por manchetes sensacionalistas disseminadas no período de campanha, sem a devida censura daquelas irreais. Dessa forma, a opinião pessoal dos eleitores é moldada, o que demonstra a força da era digital para a determinação das convicções ideológicas.
Associado a isso, analisa-se que outro efeito do uso prolongado das redes sociais é a autodepreciação entre jovens, causada pela constante comparação com corpos irreais e pela obsessão por aceitação e curtidas. Nesse aspecto, segundo dados da OMS, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre os adolescentes, indivíduos que experienciam a consolidação de suas personalidades e que são atingidos, diariamente, pela divulgação de perfis que promovem uma felicidade ilusória, causando frustração com a própria imagem. Nessa conjura, é necessário que a nova geração, cuja formação ocorre em meio ao surgimento de novas mídias, tenha consciência dos estímulos a que estão sujeitos no meio digital.
Portanto, infere-se que a escassez de autoconhecimento causada pelas novas tecnologias deve ser contornada. Desse modo, é preciso que as empresas desenvolvedoras de redes digitais, por meio de estudos especializados em cada nação, produzam uma ferramenta capaz de barrar a transmissão de informações falsas, a fim de conter a manipulação por notícias irreais. Além disso, é fundamental que a Escola, em parceria com a Família, promova conversas interdisciplinares sobre a ação das mídias no desenvolvimento dos jovens, por meio de palestras que abordem a preservação da imagem e da autoconfiança, com a finalidade de tornar os adolescentes cientes dos mecanismos das redes.