Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 30/10/2020
Autoconhecimento: a mitigação dos consumidores de padrões
Em 1947, dois filósofos da Escola de Frankfurt - Max Horkheimer e Theodor Adorno - publicaram a obra “Dialética do Esclarecimento”, que entre muitas críticas, denunciava o uso da razão e das ciências como forma negativa de dominação do homem sobre o próprio homem. Nessa perspectiva, é fato que, no mundo hodierno, a ascensão das mídias sociais molda o cotidiano dos indivíduos, os quais negligenciam a busca de autoconhecimento e sofrem com imposições de pensamentos e comportamentos dominantes - o que causa impactos maléficos aos civis. Destarte, a falta de reflexão sobre a internet e as facilidades das empresas em influenciar as pessoas ratificam a adversidade.
Em primeira análise, é notório que quando um cidadão mantém uma vivência constante no mundo digital, sem refletir sobre seus hábitos virtuais, há a grave possibilidade de alienação. Nessa senda, Anthony Giddens, sociólogo britânico, afirma que a sociedade moderna é sempre mutante, o que confere ao sujeito instabilidades de costumes, padrões e ideologias. Sob tal ótica, caso os usuários não tenham autoconhecimento da sua vida e de suas vontades, as mídias se tornarão nocivas e formadoras de mentes fáceis de serem controladas. Para mais, a imprudente instituição de esteriotipos - pela comunicação em massa - retrograda a busca de individualidade do Homem e o torna um cliente consumista dos padrões.
Outrossim, observa-se como a tecnologia persuasiva – que consegue facilmente monitorar os cibernéticos – é um obstáculo para quem aspira à independência de navegação na internet. Nesse sentido, a chamada “Geração Z” - pessoas nascidas no século XXI, durante o desenvolvimento do espaço on-line - gera muitas preocupações sobre a saúde física e emocional dos indivíduos. Com efeito, a procura incessante de aprovação no ambiente digital afeta de forma prejudicial aqueles que se conhecem pouco - visto que os influenciares de pensamentos buscam atingir esses usuários. Além disso, a construção de identidade é fundamental, já que oferece consciência e responsabilidade de uso das redes sociais.
Dessarte, a inexistência de autoconhecimento possibilita que mentes fracas sejam facilmente dominadas por hábitos e vontades padronizadas - como exposto pela obra frankfurtiana. Ademais, a “Geração Z”, se formada por indivíduos negligentes ao problema exposto, pode agravar a experiência futura com a internet. Dessa maneira, é imprescindível que o pensamento de Giddens guie uma reflexividade sobre a sociedade contemporânea, com vistas a retirar da inércia civis consumidores de padrões e a garantir o bem-estar social virtual.