Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 30/10/2020
No documentário “O Dilema das Redes”, da plataforma Netflix, é analisado o papel das redes sociais e os danos que elas causam na sociedade e no indivíduo. Nesse contexto, em uma era muito digitalizada, a falta do autoconhecimento gera efeitos negativos e de abrangência global. Portanto, a fim de solucionar esse problema, faz-se necessário analisar seus efeitos, como a superficialidade das relações interpessoais e o consumismo exacerbado.
A princípio, destaca-se o fato de a internet, sobretudo as redes sociais, exigirem perfis perfeitos em diferentes facetas da vida individual, como beleza ou ponto de vista. Nessa senda, o homem, que segundo o filósofo Aristóteles é um ser social, tende a adequar-se para fazer parte de um grupo e sentir-se aceito. No entanto, esse fenômeno torna-se nocivo, ao considerar que, além de baseado em aspectos superficiais, restringe a comunidade aos indivíduos que satisfazem essas características.
Outrossim, o crescente número de propagandas e anúncios configura um corpo social marcado pelo consumismo em larga escala e nem sempre consciente. Sobre isso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman descreve a sociedade do consumo, em que para tornar-se sujeito, o indivíduo lança-se ao mercado como comprador e como mercadoria. Compreende-se, assim, que com o massivo estímulo à aquisição de bens, a subjetividade pessoal torna-se frágil e insignificante perante a sociedade.
Em vista dos termos apresentados, providências são necessárias para reverter o quadro atual. A priori, é de responsabilidade do indivíduo ser capaz de determinar por si só, o nível de contato com o ambiente digital, seja pelos aplicativos ou tempo gasto nestes, a fim de estabelecer-se de forma consciente nesse meio. Cabe, também, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública revisar os meios de fiscalização e denúncia nas mídias, em questões como os discursos de ódio e a exposição inadequada ou exacerbada da população a anúncios. Dessa forma, o país formará cidadãos conscientes e aptos para a vida social, quer física quer digital.