Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 14/11/2020

Em “Eu, etiqueta”, poema de Carlos Drummond de Andrade, há a constante menção de uma falsa identidade por parte do eu lírico, influenciada pela moda, afim de se vender para a sociedade e encaixar-se em tal. Embora seja antigo, o poema relata de forma precisa os acontecimentos atuais em meio a Era Tecnológica; onde aparências e status são tudo – e aqueles que não têm autoconhecimento de quem são ou do que almejam são facilmente influenciados e transformados em etiquetas.

Assim como no poema de Drummond, atualmente, indivíduos baseiam-se nas tendências do momento e consomem exacerbadamente, pois acreditam que de tal forma serão aceitos e incluídos em certos grupos. Isso demonstra um sentimento de necessidade por aceitação social, que é alimentada pela insegurança da pessoa sobre suas próprias características – insegurança que, por sua vez, tem base em padrões, sejam eles de beleza ou de comportamento, criados pela sociedade, que pressionam individualidades a se moldarem de acordo com eles. Por conseguinte, se tem a manipulação e influência de um ser humano a outro, alterando sua personalidade, suas roupas, sua fala, suas opiniões entre outros. Logo, o indivíduo se torna a Tábula Rasa de John Locke – como uma folha em branco, o ser será gradativamente influenciado ao ponto de se tornar o que outras pessoas desejam.

Tal influência teve grande aumento devido ao avanço das tecnologias que, pela globalização, conecta pessoas de diferentes localidades por meio das mídias e também permite a troca de suas opiniões e experiências; nesse quesito, destacam-se os conhecidos influenciadores digitais, que possuem vasta comunicação com seu grande número de inscritos de variadas faixas etárias. De certo modo, os internautas se identificam com influenciadores, pois são, por vezes, mais alcançáveis; o que acaba por criar um sentimento de admiração e influência - assim, o ambiente digital adicionado à ação em massa dos influenciadores, abre oportunidades para empresas e seus produtos, de forma que se crie o marketing de influência. Um levantamento, feito pelo aplicativo MeSeems, com mil pessoas das cinco regiões do Brasil, mostrou que 41% - 44% de 25 a 40 anos e 39% de 16 a 24 anos – já compraram um produto recomendado por um influenciador.

Em suma, é notável que, a todo o momento, internautas estão suscetíveis a serem influenciados nas plataformas digitais e, quando não há autoconhecimento e certeza, isso pode acarretar na criação de uma personalidade baseada em outrem; o que cria manipulação e dependência. Vê-se necessário, pelas escolas e familiares, a conscientização de jovens sobre assuntos de autoconhecimento e influência, por meio de palestras, conversas e questionários que os levem a ter certeza sobre quem realmente são, quem serão e o que desejam. Assim, haverá a criação adultos decididos e obstinados.