Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 12/11/2020

Na trilha evolutiva do capital, mais precisamente em reação à Crise de 1929, surgiu o capitalismo informacional. Desde então, os consumidores, especialmente os menos esclarecidos sobre a si próprios, deixaram de ser vistos como pessoas e passaram a ser instrumentos de consumo, vindo a ser espoliados de formas diversas. Logo, é preciso repensar o sistema, de modo a diminuir a exploração dos incautos e fomentar as dignidades deles.

Nesse contexto, é interessante lembrar que Zygmunt Bauman defendia que o ser humano moderno, em tempos de liquidez, perdia sua essência, vindo a ser alvo do sistema. De fato, esse mecanismo é real na era digital, pois mídias sociais, como o Facebook, manipulam dados dos seus usuários para bombardeá-los com propagandas produzidas em linguagem apelativa, de modo a os persuadir a comprar mercadorias ou serviços desnecessários - como alimentos fast-food. Logo, há uma tentativa nociva de substituir o vazio existencial por hábitos compulsivos de consumo.

Ademais, esse vácuo interior muito comumente não é satisfeito pelo hábito desenfreado de aquisição, forjando efeitos secundários que também são explorados pelo capitalismo. Tanto é assim que a Organização Mundial de Saúde estima que 30 a 40% da população-mundo sofra com ansiedade e depressão, gerando, por exemplo, um fabuloso mercado da saúde (desde faculdades de medicina até indústrias farmacêuticas). Frise-se: são produtos e serviços criados para problemas fabricados artificialmente.

Portanto, é preciso rever posicionamentos capitalistas para humanizar o exercício da vida na era digital. Nesse caso, é preciso que o Ministério da Educação contrate psicólogos para trabalharem em conjunto com professores nas escolas de ensino básico e fundamental. Desse modo, poderão construir solidariamente um processo pedagógico que eduque os jovens a viverem uma vida de reflexão e de conhecimento, questionando, por exemplo, porque é melhor praticar exercícios físicos ao invés comprar pizzas e sanduíches. Desse modo, as pessoas poderão evitar armadilhas empresariais e, ao mesmo tempo, serão mais esclarecidas e saudáveis.