Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 20/11/2020

O ditado grego milenar, “conhece-te a ti mesmo”, prescreve o autoconhecimento como primeiro passo para a compreensão das verdades do mundo. A noção de que o autoconhecimento é essencial para o alcance do equilíbrio interior é generalizada, porém, pouco cultivada. E o contato cada vez mais intenso com o mundo digital contribui para o distanciamento do indivíduo de si mesmo, em uma crescente alienação relacionada à própria essência. Exemplo disso são as plataformas digitais que, por intermédio de algoritmos, conseguem traçar o perfil psicológico de seus usuários, e a partir de então se utilizam de mecanismos de persuasão e manipulação de seus usuários. Dessa forma, o autoconhecimento mostra-se como o caminho mais seguro de o indivíduo se defender de tais assédios.

Recentemente, a plataforma de streaming Netflix disponibilizou o documentário “Dilema das Redes”. O documentário, composto por antigos executivos do Facebook, Instagram, Google, dentre outros, explicita as formas obscuras de funcionamento de tais sites. Segundo os ex-funcionários, essas empresas se utilizam de mecanismos para viciar seus usuários – baseados em curtidas, compartilhamentos, comentários, buscas em sites de pesquisa e etc., algoritmos traçam o perfil psicológico do usuário com grande precisão. A partir de então, o perfil é repassado aos anunciantes que passam a oferecer produtos direcionados às preferências daquela pessoa.

Já é sabido o quanto as redes sociais influenciam no estado emocional do indivíduo. O mesmo documentário supracitado relata o aumento no caso de suicídios em pré-adolescentes na última década, justamente quando as mídias sociais aumentaram seu alcance. O contato intenso com tais tecnologias contribuem para a diminuição da autoestima devido à padrões de beleza, sucesso e felicidade inatingíveis. Deste modo, o autoconhecimento se faz imprescindível para preservação do equilíbrio emocional, cuja jornada requer distanciamento de estímulos externos para que o indivíduo consiga se escutar. E é nessa busca interior que a pessoa aprende a se aceitar e se amar tal como é, municiando sua estrutura emocional contra as influências perniciosas advindas da era digital.

Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação a promoção de ações nas escolas que alertem os jovens e adolescentes quanto aos perigos das mídias digitais e ainda o fomento à programas de valorização pessoal e busca de auto-aceitação e autoconhecimento. As mídias digitais devem se comprometer com a saúde mental de seus usuários colaborando para a disseminação de conteúdos inclusivos. Tais ações serão de extrema importância para a ampliação da consciência e racionalidade, especialmente, em adolescentes e jovens no uso de tais tecnologias.