Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 04/01/2021

A Constituição federal de 1988, norma de maior hierarquia no ordenamento jurídico brasileiro, assegura a liberdade como direito inerente a toda a população. No entanto, é válido ressaltar que nem sempre essa garantia é colocada em prática, haja vista a restrição que os indivíduos sofrem no que tange o entendimento de seus próprios comportamentos, principalmente na era digital. Isso ocorre não só pela ascensão da tecnologia, como também pela negligência governamental. Dessa forma, é imprescindível analisar as causas que tornam essa problemática uma realidade na sociedade brasileira.

É preciso considerar, antes de tudo, que a internet promove um papel fundamental - positiva e negativamente - na vida dos indivíduos. George Orwell, em seu livro distópico “1984”, afirma que “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Fora da ficção, pode-se relacionar a realidade apresentada na obra à tecnologia no século XXI: de modo gradativo, as mídias sociais têm manipulado os usuários, transformando o cidadão em consumidor e limitando o processo de exploração deste em busca de autoconhecimento. Para o exercício regular deste conceito, é fundamental possuir lucidez, e a falta de clareza para organizar as ideias torna a coletividade virtual sem controle sobre a consciência de suas metas, objetivos e emoções, corroborando a decadência da qualidade de vida e a autonomia das pessoas.

Não somente, a postura passiva do Estado frente às estratégias dos meios de comunicação social colaboram para a manutenção dos seguimentos negativos que a carência do desenvolvimento da autoimagem trás. O consumismo - mediado por empresas que investem altamente na esfera cibernética - e a padronização de uma vida aparentemente perfeita, trazida por meio de propagandas, estimula os usuários a buscar metas inalcançáveis. A frustração, que vem logo após, pode desencadear diversos transtornos psicológicos ao consumidor, como depressão e ansiedade.

Infere-se, portanto, que é preciso garantir, de maneira pragmática, o direito à liberdade, como preconiza a Constituição. Sendo assim, a Secretaria de Cultura, em parceria com as mídias de grande circulação, deverá promover campanhas publicitárias sobre como estimular o autoconhecimento e o enfrentamento de manipulações por parte da indústria, através de profissionais qualificados, a fim de atenuar os efeitos da falta de exploração de si mesmo na internet. Ademais, o Estado deverá fiscalizar e punir propagandas com alto teor apelativo - que tem o intuito de favorecer o lucro de empresas - , no intento de cooperar com o bem-estar da população. Quem sabe assim, poder-se-à construir uma sociedade digna para todos os cidadãos.

Infere-se, portanto, que é preciso garantir, de maneira pragmática, o direito à liberdade, como preconiza a Constituição. Sendo assim,