Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 11/01/2021
O escritor Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam o país. Fora da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos efeitos da falta de autoconhecimento na era digital. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a exposição frequente as redes sociais, juntamente com a falta de informação na mídia.
Sob essa óptica, o filósofo Sigmund Freud - em sua teoria desenvolvimentista - tratou da influência do meio na formação cognitiva do indivíduo. Acerca dessa lógica, a exposição frequente às redes socias - que ocorre cada cada vez mais cedo na sociedade globalizada - é capaz de desenvolver um raciocínio consumista e até mesmo individualista, além de atuar negativamente no subconsciente humano. Contudo, a insuficiência das políticas públicas de incentivo à uma educação crítica que promova a autoreflexão não consegue restringir essa atuação negativa, o que atenuaria a ação desenvolvimentista deste. Nessa perspectiva, será possível amenizar esses pensamentos nos indivíduos, podendo em conseguinte promover um autoconhecimento.
Além disso, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução, a falta de promoção de informação na mídia. De acordo com Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevam o nível de informação da população e tragam esclarecimentos sobre a importância de se conhecer enquanto indivíduo, influencia na consolidação da falta de autoconhecimento e na alienção dos usuários das redes sociais, causando diversos efeitos negativos na formação destes. Dessa forma, não cumpre a sua função social para com a população, que não é devidamente informada acerca da importância de se autoconhecer em um ambiente tão coercitivo quanto o digital.
O panorama geral que contribui para a escassez do autoconhecimento na era digital, portanto, reflete a necessidade de implementação de medidas. Em suma, faz-se necessário a atuação do Governo Federal em parceria ao Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei para a reformulação dos Parâmetros Curriculares Nacionais que inclua uma grade voltada para a remediação dos comportamentos nocivos na era digital, no intuito de promover o criticismo e a diminuição do individualismo e da alienação do consumo. Outra iniciativa plausível é a promoção de ações na mídia - com foco na TV aberta, que possui maior alcance na população - que informe acerca da importância de um comportamento crítico. Dessa forma, poder-se-á criar um ideal de nação oposto ao descrito por Machado de Assis.