Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 18/05/2021

Em um episódio do seriado “Black Mirror” é retratada a narrativa de estadunidenses e seu cotidiano de alienação tecnológica. Nela, os personagens dão extrema importância para estatísticas em redes de engajamento. Isso posto, infelizmente, a ficção apresentada não destoa da realidade brasileira, tendo em vista o aumento de tempo dedicado as tecnologias e influências digitais e, consequentemente, diminuição da busca de conhecimento pessoal. Por conseguinte, a falta de preparo mental para tamanha interação, agravado pela falta de autoconhecimento, geram brechas para lucro empresarial e problemas mentais.

Em primeira análise, tem-se noção da “Teoria do Superestímulo”, do cientista Niko Tinbergen, que é explicitada sua ideia de que com o avanço tecnológico crescendo exponencialmente na contemporaneidade, a espécie humana não consegue se adaptar, entrando em um estado de hipnose aos estímulos artificiais. Tal teoria se comprova correta quando comparada ao enorme tempo depositado em plataformas de interação. Ou seja, o avanço tecnológico contemporâneo gera debates sobre a exaustão mental e diversas consequências emocionais ao distanciar-se do importante conhecimento pessoal, já que segundo o G1, OMS alerta para crise global de saúde mental.

Contudo, nessa perspectiva, as consequências da falta de autoconhecimento comparam-se diretamente ao livro francês “Sociedade do Espetáculo”. Nele, o filósofo e sociólogo Guy Debord argumenta que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre dar o melhor show uns para os outros e aparentar perfeição. Por isso, nessa lógica, com a maior exposição digital e competitividade acirrada, geram-se padrões sociais altíssimos. Além disso, a brecha para surgimento de modas e influências a serem seguidas beneficiam as corporações industriais, que criam shakes, cintas e meios de disfarçar a realidade em prol de lucro. Ademais, tanto o fator social quanto tecnológico levantam a pauta de sensação de superioridade, na qual acredita-se na constante diminuição da busca por autoconhecimento pela estagnação e comodismo.

Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para que os danos psicológicos, físicos e mentais sejam menores. O Ministério da Saúde com o apoio do Ministério da educação deve abrir vagas para psicólogos trabalharem em escolas por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputados. Nela, deve constar que oferta-se um auxílio de meio salário mínimo adicionado a renda mensal do profissional. Espera-se, com esta medida, que os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital sejam cada vez menos nocivos.