Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 13/06/2021
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é características da “modernidade líquida” vivida no século XX. O lapso digital corrobora para a decrepitude de autogênese, o corpo social brasileiro em seu comportamento de coletividade em redes sociais, reflete essa realidade.
É fato que a tecnologia revolucionou a vida em sociedade nas mais variadas esferas, a exemplo da saúde, dos transportes e das relações sociais. No que concerne ao uso da internet, a rede potencializou o fenômeno da massificação do consumo, pois permitiu, por meio da construção de um banco de dados, oferecer produtos de acordo com os interesses dos usuários. Tal personalização se observa, também, na divulgação de informações que, dessa forma, se tornam, muitas vezes, tendenciosas. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos educacionais e econômicos.
Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2017, apenas 35% dos entrevistados, que apresentavam idade igual ou superior a 10 anos, nunca haviam utilizado a internet. Isso acontece porque cada vez mais é estimulado o contato precoce com aparelhos tecnológicos. que necessitam da disponibilidade de uma rede de navegação, que memoriza cada passo que esse jovem indivíduo dá para traçar um perfil de interesse dele e, assim, fornecer assuntos e produtos que tendem a agradar ao usuário. Dessa forma, o uso da internet torna-se uma imposição viciosa para relações socioeconômicas.
Ademais, o ser humano perde sua capacidade de escolha. Dentro do contexto da internet, o usuário, sem perceber, é induzido a entrar em determinados sites devido a um “bombardeio” de propagandas que aparece em seu dispositivo conectado. Evidencia-se, portanto, uma falsa liberdade de escolha quanto ao que fazer no mundo virtual. Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos a partir do padrão de gosto do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível.
O combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da carência de heautognose digital, deve tornar-se efetivo, uma vez que uma falsa liberdade rodeia os usuários ativos dos mais diversos sites. Sendo assim, desde que haja parceria entre governo, comunidade e família, será possível amenizar a imposição e contrafação ilusória de que, os usuários são os únicos portares dos seus dados e os mesmo permanecem invioláveis, construindo uma sociedade mais fiel aos conceitos da Lei Geral de Proteção de Dados, inclusa na constituição.