Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 17/06/2021
Segundo a teoria da Modernidade Líquida, elaborada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a contemporaneidade assemelha-se às características de um líquido. À vista disso, as relações sociais são fugazes e maleáveis, assim como esse estado físico. Dessa maneira, em uma era digital fluida, a falta de autoconhecimento prejudica a formação integral do indivíduo, na medida em que aumenta a alienação social. Assim, essa intransigência configura-se como um quadro a ser revertido pelo Estado, uma vez que contribui para o aumento das doenças mentais e do consumismo entre a população.
Antes de tudo, é válido ressaltar que as empresas utilizam a falta de autoconhecimento para estimular o consumo. Nesse aspecto, faz-se relevante analisar o livro 1984 escrito por George Orwell. Em suma, a obra retrata um regime despótico fictício que utiliza a repressão para garantir a uniformidade da população, oprimindo os indivíduos divergentes da ideologia do partido, a fim de propiciar uma hegemonia política. Da mesma forma, as empresas tecnológicas, valendo-se da falta de conhecimento próprio do usuário, estimulam a massificação das culturas para uniformizar o consumo, consoante ao romance supracitado. Isto posto, devido a essa insipiência, as pessoas compram produtos desnecessários, influenciados pela cultura de massas, numa tentativa frustrada de se conhecer.
Por outro lado, torna-se essencial analisar não só o efeito social, mas também o impacto dessa insciência na saúde mental. Sob esse viés, de acordo com Pedro Calabrez e Clóvis de Barro, autores do livro Não Nascemos Prontos, a sociedade atual utiliza máscaras. Porquanto, os filtros e a ideologia utópica de corpo e vida ideais, presentes na era digital, são exemplos de máscaras que impedem o indivíduo de conhecer sua própria identidade. Ademais, consoante ao estudo da Universidade de Notre Dame, localizada na Austrália, os jovens que passaram mais de 5 horas nas redes, demonstraram 50% mais chances de desenvolver depressão. Portanto, a falta de autoconhecimento, catalisada pelas máscaras sobreditas e pelo uso excessivo da internet, deprecia a saúde mental dos internautas.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa inercial. Logo, cabe ao Ministério da Saúde estimular o autoconhecimento da população, por meio de uma parceria público-privada com a empresa HeadSpace, especialista em meditação virtual. Para tanto, o Ministério deverá conceder verbas a empresa para financiar o projeto. Sendo assim, a Headspace deverá estimular a prática da meditação “mindfulness”, voltada para a percepção corporal e autorreflexão, por intermédio de sessões guiadas por terapeutas. Outrossim, as aulas ficarão disponíveis gratuitamente nas redes sociais do Ministério. Destarte, os internautas serão levados à compreensão de si mesmos, atenuando o consumismo e as doenças mentais.