Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 08/07/2021
Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo expostas no livro intitulado “As contemplações” está a de que “o progresso roda constantemente sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender as palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário de carência em autoconhecimento no mundo digital, vemos que a falta de lucidez interior atua como agente limitante da capacidade argumentativa nos indivíduos. Sendo assim, a conjuntura da historicidade na disperção ideológica por meios digitais, e concomitante com a retração da autonomia de pensamento acaba por explicitar ainda mais este conflito. Entretanto, deve-se ajustar determinadas engrenagens, na máquina social, para mitigar esta problemática.
Ao longo da história, a humanidade enfrentou diversas imposições ideológicas que utilizaram da propaganda coerciva como artefato para convencer as pessoas sobre uma realidade encenada. Um dos principais exemplos da história brasileira foi o período da Ditadura Militar, mais especificamente a censura moralizante imposta nos anos subsequentes ao golpe de 1964, e a intensa repressão contra a imprensa que tentava se impor ao ideário ditatorial. Por conseguinte, inferimos que da mesma forma que durante o regime anti-democrático as pessoas com pouca instrução eram levadas a crer em uma falsa liberdade, na atual Era Digital a influência tecnológica busca coagir indivíduos alienados.
Ademais, é perceptível a fundamentalidade do autoconhecimento na construção de indivíduos com autonomia argumentativa. À vista disso, é intuitivo a concordância da temática com a Constituição Federal de 1988, em que é descrito no Artigo 220 o direito irrefutável a manifestação da pluralidade ideológica sem qualquer influência externa. Assim, depreende-se que indivíduos com uma base formativa focada no senso crítico apresentam menor chance de serem ludibriados no campo informacional devido sua dinâmica capacidade de questionar. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade neste impasse.
Em virtude dos fatos expostos e em consonância das palavras aqui pautadas, conclui-se que o desarranjo interno individual compromete a autonomia crítica no campo digital. Assim, para ajustarmos essas “engrenagens” é primordial que o Ministério da Educação promova um programa de assistência psicológica nas escolas públicas através de palestras direcionadas, em que seja proporcionado aos estudantes debates com enfoque no autoconhecimento e no autocontrole visando uma mudança futura no panorama crítico da sociedade brasileira. Quando conseguirmos alinhavar conhecimento argumentativo com o mundo digital, engrenagens essenciais para o progresso social, a humanidade atingirá um novo patamar no avanço democrático.