Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/08/2021
O quadro “Operários”, de Tarsila do Amaral, retrata um conjunto de trabalhadores que possuem sua identidade individual perdida, o que acontece como consequência da massificação. Analogamente à crítica da obra, observa-se essa semelhança nos dias atuais, visto que a falta de autoconhecimento tem ascendido entre as pessoas, principalmente pelos meios digitais, e levado a uma perda de domínio da sua indentidade. Nessa lógica, torna-se imperial discorrer acerca desse tema e mostrar que os problemas psicológicos e o insucesso pessoal são grandes efeitos provenientes de tal problemática.
Em primeira análise, tendo em vista esse contexto, é lícito destacar as debilidades mentais como consequência da fragilidade em conhecer a si mesmo. Partindo dessa ótica, é possível analisar que as pessoas - enfatizando-se os jovens - não procuram expressar sua essência, tendem a manipular uma impressão pessoal de si, o que é observado em redes sociais, como Instagram, TikTok e Twitter. Isso pode ser evidenciado pela expressão “E fora do story, como você está?", que viralizou entre os usuários dessas mídias digitais. Com efeito, depreende-se que tais indivíduos deixam de valorizar suas características e não procuram conhecer a si próprios, pois permanem ocupados em copiar os outros, o que acarreta em enormes prejuízos mentais e prejudica a produtividade e vivência dessas pessoas.
Paralelo a isso, essa lacuna em se conhecer provoca a perda de sucesso em vários setores da vida social e gera a insuficiência na tomada de decisões. Sob esse viés, o documentário “Dilema das redes”, da Netflix, evidencia como os dados da internet conseguem processar e criar um perfil de cada usuário com todas as características de forma objetiva. Nessa perspectiva, depreende-se que tais dados poderão manipular a vontade e a opinião dessas pessoas, assim como prejudicar sua performance e o reconhecimento de quais são os seus genuínos desejos. À luz disso, ter entendimento de si vai prevenir a prisão nas denominadas “bolhas sociais”, o que caracteriza o “Homem massa”, conceito do filósofo José Ortega y Gasset. Logo, fica clara a importância de incentivar o autoconhecimento na sociedade.
Portanto, torna-se evidente que a falta de autoconhecimento provoca efeitos muito negativos para a qualidade de vida e para a organização da sociedade. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação - como influenciador no comportamento social - promover medidas que alertem a população, em especial os pais e os jovens, acerca da influência digital em seu cotidiano. Isso pode ser feito mediante palestras, com a colaboração de psicólogos, e por meio da conscientização do corpo social, o que deve ser realizado usando os canais midiáticos. Em adição, deve-se incentivar atividades que contribuem para o autoconhecimento, como a leitura, os esportes, a escrita e o diálogo. Feito isso, espera-se que tais problemas sejam mitigados e que a obra de Tarsila do Amaral não denote um sentido atemporal.