Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 02/09/2021

O autoconhecimento sempre foi buscado pelos Homens, e pode ser definido como a habilidade de conhecer os próprios desejos, pensamentos, medos, assim como as próprias emoções, crenças e necessidades. Todavia, apesar de muitos indivíduos acreditarem que se conhecem, poucos de fato se conhecem, de forma que grande parcela da sociedade se torna suscetível a manipulação das grandes corporações da era digital.

Nesse sentido, torna-se evidente o papel do autoconhecimento ilusório do sujeito para a perpetuação da ignorância sobre si. De acordo com Sócrates, em sua frase “Só sei que nada sei”, é preciso que o indivíduo assuma sua ignorância para, somente assim, poder esclarecê-la. Assim sendo, para que o Homem realmente se conheça, ele precisa, primeiramente, assumir que não se conhece. E, conforme a psicóloga Tasha Eurich, poucos fazem isso, já que ela afirma que 95% das pessoas acreditam ter autoconhecimento, mas apenas algo em torno de 10 a 15% possuem de fato.

Por conseguinte, destacam-se os sujeitos que detém pouca autognosia como suscetíveis a manipulação de grandes corporações nos meios digitais. Segundo o conceito da Sociedade do Consumo, os indivíduos que não conhecem claramente seus desejos podem ser manipulados, de tal forma que um produto se torna a própria finalidade, e deixa de ser um meio para se alcançar a finalidade. Portanto, na era digital, quem não se conhece, ou apenas acredita que se conhece, pode torna-se viciado em consumir sem ponderar sobre suas necessidades.

Medidas são, dessarte, necessárias para resolver o impasse. Governos federais devem, por meio de psicoterapeutas em unidades de saúde, promover campanhas para que os sujeitos possam assumir sua ignorância no que tange autoconhecimento, e a partir disso, de fato o produzir. Tal atendimento seria em um horário agendado de forma gratuita. Além disso, seria voltado para todas as faixas etárias. Espera-se, com tal medida, desenvolver a médio e longo prazo, indivíduos conscientes sobre si e que não possam ser facilmente manipulados.