Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 26/05/2022
O historiador Yuval Harari , em seu livro “Sapiens”, elucida a ideia da “armadilha do luxo”, segundo a qual os luxos tendem a tornarem-se necessidades que, por sua vez, reduzem o próprio bem-estar da Humanidade. À luz desse conceito, nota-se que a era digital trouxe grandes facilidades mas também consequências. Nesse sentido, o uso excessivo da internet e das redes sociais, aliado à falta de autoconhecimento do internauta gera dois efeitos: o aumento do consumismo e o alheamento social.
Em primeira análise, observa-se que o usuário é inundado por anúncio de “marketing”, que são estrategicamente selecionados pelos mecanismo de busca através da coleta de dados de interesse. Além disso, a facilidade provida pela internet possibilita que uma infinidade de lojas “online” estejam à distância de um clique. Assim, o apelo ao consumo tem sido exponencializado pelas novas tecnologias. Nesse contexto, é válido citar que o ex-presidente uruguaio José Alberto Mujica liga o consumismo à diminuição da liberdade, uma vez que a maioria da população paga pelo consumo com o tempo que dispõe no trabalho. Assim, a geração da era da informação pode virar escrava de seu próprio consumo.
Outrossim, cada vez mais as redes sociais implementam mecanismo e algoritmos com o intuito de prender a atenção do navegante, como é o caso da rolagem infinita, o que faz com que os internautas, distraídos, gastem mais tempo em aplicativos. Cita-se, nesse contexto, o relato do Nobel de Literatura Mário Vargas Llosa que, no livro “A civilização do espetáculo”, pontua que a cultura deveria ser uma maneira de não “virar as costas” pra sociedade. No entanto, observa-se que a cultura dominante nas redes sociais atua apenas como distração e entretenimento e, dessa maneira, torna os usuário mais alheios à realidade social. Diante desse cenário atual, faz-se necessário alertar também sobre a alienação no meio digital.
Portanto, para alertar sobre o uso compulsivo e incentivar o uso consciente das tecnologias digitais, o Ministério da Cidadania deverá elaborar uma campanha de conscientização nas redes sociais – tais como “Facebook” e “Instagram” – por meio de anúncios periódicos gratuitos nesses