Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 12/07/2022
Na famosa série “Black Mirror”, da Netflix, são narradas histórias que, em determinado nível, demonstram o futuro da relação do homem com o meio digital. Em um de seus episódios, um homem sequestra um estagiário de uma empresa, a fim de, forçadamente, conseguir conversar com o chefe dele. A repercussão foi tão intensa que a população passou a se manifestar nas mídias sociais. Fora da ficção, a internet tem se tornado uma forma de expressão que ultrapassa limites, mas, por outro lado, potencializa a alienação. Dessa forma, deve-se analisar as causas da falta de autoconhecimento, bem como suas consequências na era digital.
A priori, é notado que as relações humanas estão se tornando superficiais. Nesse sentido, assumem posições expressivas a atenção individual e a prática do consumo, as quais buscam captar a maior quantidade de dados. A partir disso, uma vez sem consciência de si, isto é, sem autoconhecimento individual, os algoritmos passam a controlar, direcionar e manipular. Segundo Michel Foucalt, tal percepção que impõe um poder sobre alguém é chamada de “micropoder”, visto que é formado por “estratégias de relação de força” - uma dominação consciente. Destarte, à medida que os algoritmos fundamentarem as relações individuais, a população carecerá de autoconhecimento.
Por consequência, segundo Zygmunt Bauman, vive-se uma modernidade líquida. Nessa lógica, é rapidamente explorada a prática do indivíduo frente sua vida digital, de modo que visam-se excluir a autonomia do sujeito pensante e a consciência de si. Com isso, seguindo a lógica de Bauman, o ser passa a perder sua identidade e a cair no fluxo de informações que determinam o que e quando tal indivíduo estará sujeito a uma nova prática consumista. Dessa maneira, devem-se criar medidas para desconstruir tal problemática.
Portanto, nota-se a falta de autoconhecimento. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pela regulação das práticas educacionais no país, deve criar, por meio de sua jurisprudência, nas escolas públicas, aulas que exponham a prática dos algoritmos digitais. Além disso, o Ministério da Cidadania deve apresentar, nas redes sociais, formas de evitar o controle e a manipulação digital. Assim, será possível garantir o autoconhecimento individual.