Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 15/03/2023

Por volta de 2015, um jogo online chamado “Baleia Azul”, que por meio de de-safios induzia os jogadores ao suicídio, tomou enormes proporções nacionais. Ca-sos como esse exemplificam o impacto psicológico da falta do autoconhecimento na era digital. Além disso, também é vital pontuar que há repercursões negativas dessa ausência na democracia. Portanto, é importante estudar os efeitos da insipi-ência do conhecimento do “eu” na sociedade e buscar ferramentas para supri-la.

Dessa forma, é possível conceber que o desequilíbrio emocional é um das gran-des consequências da inaptitude de entender a si próprio em uma sociedade digi-tal. Por exemplo, o filme “Inventando Anna” apresenta a história real de uma mu-lher que criou uma rede de mentiras e aplicou golpes milhonários devido à deva-neios que nasceram da obssessão pelos holofotes das plataformas digitais. Anna não está sozinha, pois muitos jovens também criam narrativas irreais e acabam perdidos no processo. Então, fica claro que a pessoa incapaz de desenvolver o “elenchus” socrático consigo mesma, na atualidade, possui grandes chances de descolamento do real e termina por colocar sua própria estabilidade em risco.

Ademais, um segundo efeito da escassez de entendimento de quem você é na pósmodernidade reside no ataque à democracia. Essa fala pode ser exemplificada pelo caso da empresa Cambridge Análitica que, por meio de estudos e controle de dados do “Facebook”, afetou o resultado da eleição presidencial americana no final da década passada. Em outras palavras, como muitos eleitores não tinham esse senso crítico do discernimento apurado, eles foram levados a escolherem o candi-dato republicano devido à apresentação de informações falsas. Ou seja, assim co-mo na obra de Orson Wells “1984”, o “Grande Irmão” reinventava a história diaria-mente afim de que somente a verdade dele existisse e ninguém o questionasse.

Em suma, os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital são graves. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve inserir no curriculo do ensino fundamental e médio oficinas integrativas, comandadas por psicólogos com o fito de desenvolver habilidades intrapessoais nos alunos. Consequentemente, o corpo social contará com jovens - e futuramente adultos - mais capazes de entenderem quem são e de preservarem a si mesmos e as instituições democráticas.