Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 19/05/2018

No Brasil, a questão da obesidade é recente porque está relacionada com a ascensão da classe média nas últimas décadas - ávida por consumo -. Apesar disso, a sociedade já sofre os efeitos  relacionados ao excesso de peso, pois segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, à medida em que hábitos de grandes centros urbanos são incorporados, a qualidade de vida geralmente é fragilizada. Esse cenário pressiona o Estado a ampliar investimentos no setor de saúde, porque conforme o número de obesos cresce, indivíduos portadores de doenças relacionadas com a primeira, aumentam proporcionalmente. Gerando portando ônus no setor público de saúde.

Sob esse viés, pode-se apontar como uma das causas do crescimento exorbitante de obesos no país, mais de 60% segundo dados do Ministério da Saúde, o incremento na renda do brasileiro que, infelizmente, não veio acompanhado de qualidade de vida e educação alimentar, uma vez que, segundo nutricionistas, o cardápio tradicional composto de arroz e feijão, foi perdendo espaço para os fastfoods e enlatados, provocando carência de nutrientes e aumento de massa. Assim, consoante a teoria Neomalthusiana, baseada nos estudos do economista Thomas Malthus, apenas aumentar a renda da população não basta para melhorar os hábitos desta. Logo, o perfil da sociedade brasileira apenas migrou de sub-nutrido e pobre, para classe média, sedentário e cada vez mais doente.

Além do mais, ressalta-se o aumento de mais de 5% nos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com despesas relacionadas com a obesidade, uma vez que esta propicia o aparecimento de enfermidades como diabetes e hipertensão, que juntas já afetam boa parte da população nacional. Para ambas, o Governo arca com o tratamento dos enfermos através da distribuição gratuita de medicamentos. Isso por sua vez, devido ao crescente contingente, onera os cofres públicos. Por isso, o Estado passou a adotar medidas para combater o aumento da obesidade. Este pressionou indústrias alimentícias através de decreto, a diminuírem o teor de sódio dos seus alimentos, além de incentivar por meio de campanhas publicitárias a prática de exercícios físicos e a ingestão de alimentos naturais. No entanto tais ações ainda não surtem o efeito desejado devido à falta de educação alimentar.

Portanto, cabe as instituições de ensino aliadas á família, incentivar hábitos de vida saudáveis a partir do incremento de frutas e hortaliças no cardápio em detrimento de produtos industrializados, além de atividades físicas regulares. Cabe ao Ministério da Educação aumentar a carga horária da disciplina de Educação Física nas escolas a fim de atenuar os índices de sobrepeso com práticas de exercícios físicos regulares. É necessário também investir em áreas de lazer e esporte públicos, como centros comunitários e ginásios esportivos. Assim os efeitos da obesidade na saúde pública serão amenizados.