Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 20/05/2018

“Eu acredito que a alimentação pode mudar o mundo”, disse Bela Gil, chef de cozinha e nutricionista, que gera polêmicas devido sua busca por equilíbrio nutricional, numa sociedade marcada pelo consumo exagerado e inconsequente de alimentos industrializados. Nesse contexto, o alto índices de obesidade no Brasil é um grave problema de saúde pública, associado principalmente ao estilo de vida moderno e imediatista e ao sedentarismo.

Em primeira análise, deve-se considerar que o estilo de vida é fator determinante nos hábitos alimentares da população, visto que, com o dia cada vez mais atribulado de atividades, as pessoas recorrem à praticidade dos fast foods, que possuem baixo valor nutricional, em detrimento de uma refeição saudável e balanceada. Sobre isso, o sociólogo Zygmunt Bauman, traz a concepção de modernidade líquida, em que o prazer imediato é mais importante que o cuidado consigo e com o futuro, o que traduz o quão rápido está o cotidiano da sociedade, levando as pessoas a negligenciarem inclusive sua alimentação. Desse modo, esses maus hábitos propiciam graves consequências para a saúde a médio e longo prazos, provocando por exemplo, distúrbios alimentares, obesidade e doenças crônicas cardiovasculares como diabetes e hipertensão arterial.

Nesse contexto, o sedentarismo também contribui significativamente para manutenção do excesso de peso. Segundo dados dos IBGE, cerca de 70% da população brasileira é sedentária, colaborando para um aumento de aproximadamente 20% nos índices de obesidade. Esse sedentarismo está associado ao baixo incentivo para a prática de atividades físicas nas escolas, à pouca disponibilidade de espaços públicos para a prática de esportes e ao uso excessivo de recursos tecnológicos como celulares e computadores, em lugar de atividades ao ar livre, levando às pessoas a praticarem cada vez menos exercícios físicos.

Evidencia-se portanto, que a obesidade tem raízes em diversas facetas da vida cotidiana, o que contribui para sua alta prevalência nas sociedades modernas. Logo, o Estado deve através de parceria entre o ministério da saúde e ministério da educação, promover projetos pedagógicos de educação nutricional e gastronomia nas escolas, universidades e demais centros de ensino, para promoção mudança de hábitos alimentares da população. Bem como, em associação às prefeituras, o Estado deve realizar a instalação de espaços públicos para atividade física, por exemplo “as academias das cidades” em praças públicas, e de ginásios poliesportivos com acesso a educadores físicos. Assim, será possível construir uma conscientização sobre estilos de vida mais saudáveis e diminuir os índices de obesidade e suas complicações na população brasileira.