Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 13/06/2018

Albert Einstein disse certa vez: ‘‘A menos que modifiquemos a nossa maneira de pensar, não seremos capazes de resolver os problemas causados pela forma como nos acostumamos a ver o mundo’’. Quem sabe nos dias de hoje ele visse que o seu pensamento continua atual, uma vez que, inúmeras pessoas tratam a obesidade como um caso isolado da sociedade. No entanto, ao fazer uma análise mais coerente, verifica-se que elementos macrossociais confluem para esse problema no Brasil.

A priori, a indústria alimentícia tem o lucro e não a saúde dos cidadãos como prioridade. Isso ocorre em razão da crescente oferta de produtos ricos em açúcares, gorduras e sódio, que trazem numerosos prejuízos à saúde, como o diabetes e a hipertensão. Além disso, se utilizam da influência do marketing, como brindes e embalagens personalizadas, nas escolhas do consumidor, sobretudo, quando o público alvo são as crianças. Dessa forma, as mensagens transmitidas embutem valores de consumismo e não da qualidade nutricional dos alimentos e, consequentemente, faz valer a adaptação do ‘‘você é o que você come’’ para ‘‘você é o que você consome’’.

Em uma segunda análise, observa-se que os avanços tecnológicos aliado a urbanização atua como fator determinante na modificação dos hábitos alimentares. Segundo dados do IBGE de 2010, o Brasil, que concentra mais de 80% dos habitantes na região urbana, tem adotado cada vez mais uma alimentação padronizada e homogênea, em razão da facilidade e praticidade oferecida pelos alimentos semiprontos e processados. Nesse contexto, nota-se que populações situadas em regiões isoladas, como na Amazônia, e, inclusive, algumas populações indígenas, a alimentação que antes era composta por produtos locais, como peixes e frutas, passou a integrar produtos industrializados.

Fica claro, então, que a obesidade é causada por hábitos alimentares moldados, em grande parte, por fatores econômicos. Logo, o Ministério da Saúde deve assumir a liderança na regulação da publicidade de alimentos, determinando que os comerciais e as embalagens de produtos com alto teor de gordura, açúcar e sódio seja acompanhadas de alertas sobre os riscos à saúde, em caso de consumo excessivo. Outrossim, as instituições escolares, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, devem incluir aulas de educação nutricional, por meio da orientação sobre a composição dos alimentos, montagem de pratos e receitas saudáveis junto às crianças, interligando essas atividades às disciplinas de ciências e matemática. Só assim Einstein estará certo mais uma vez.