Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 25/07/2018

A obesidade pode ser considerada um dos grandes desafios da saúde pública no século XXI. É o que confirmam dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a exemplo do fato de que um décimo da população mundial é obesa; e de que países populosos, como os Estados Unidos, China, Rússia e Brasil, apresentam índices alarmantes de mais de 20% de suas populações em situação de obesidade. Tudo isso parece implicar, de certa forma, em uma  “pandemia global”, que cresce em ritmo alarmante e além de sobrecarregar os sistemas de saúde, impacta na dinâmica sociedade como um todo.

Ante o exposto, discutir a problemática da obesidade traz à tona, além do custo monetário para os sistemas de saúde, a repercussão da obesidade na estrutura social. No primeiro caso, é inegável que o uso de serviços de saúde, especialmente em tratamentos mais delicados, são caros. Essa perspectiva se justifica, por exemplo, quando se pensa a respeito de todo o aparato necessário, tais como médicos especialistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, alimentação e remédios específicos etc.

Já em relação à dinâmica social, é possível perceber que a obesidade impacta em diversas áreas. Assim, cita-se, dentre outros, a questão do trabalho, da felicidade e da longevidade. Esses pontos, por conseguinte, têm relação direta com a saúde pública. Basta lembrar, por exemplo, que um indivíduo doente não trabalha e que, possivelmente, um indivíduo que não trabalha e está doente, utiliza serviços públicos de saúde, sem contido contribuir economicamente com a conta. Em outras palavras, tem-se um ciclo patológico com efeitos socioeconômicos, tendo a obesidade como o fio condutor.

A fim de lidar com o problema da obesidade, pensando no custo monetário e na repercussão social, um possível ponto de partida é a atuação conjunta de famílias e entidades do terceiro setor. Esses atores, portanto, podem pressionar os legisladores para o estabelecimento, em Lei, de restrições de quantidades de açúcares e gorduras saturadas nos alimentos. Dessa maneira, as indústrias alimentícias se veriam obrigadas a adequarem a nutrição dos alimentos, sob o risco de punições  ou maior tributação. Outra maneira de lidar com a situação dos obesos é através da criação de programas anti-sedentarismo, a serem promovidos por órgãos de saúde, a exemplo do ministério da saúde, no caso do Brasil. Esses programas, por sua vez, podem ser desenvolvidos nas escolas, nas empresas e até mesmo em associações comunitárias de bairros, como forma de aumentar a abrangência das ações. Por fim, outra forma de atuar no cerne do problema é através da educação. Assim, disciplinas relacionadas não apenas à educação física, mas também à nutrição e saúde emocional podem ser estimuladas nas escolas, visando a redução de fatores causadores da obesidade, pensando-se, dessa forma, na mudança de cultura e na diminuição custos econômicos e sociais no longo prazo.