Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 18/11/2018
Atualmente, a obesidade é um dos maiores desafios da gestão pública. Com profundas raízes culturais, o problema é um contra-senso em um país que luta para não voltar ao mapa da fome, do qual saiu há apenas quatro anos. Com pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde, medidas devem ser tomadas para evitar que a obesidade se torne uma epidemia.
Nesse contexto, o primeiro ponto de atenção é o dicotomia entre os extremos de fome e obesidade no país. Na verdade, ambos os problemas estão intimamente relacionados: a obesidade é, na verdade, uma forma insalubre de nutrição, que gera efeitos perniciosos contra a saúde quando combinada a uma rotina desprovida de hábitos saudáveis. A popularização, sobretudo entre as classes menos favorecidas, de alimentos ricos em açúcar, sódio, gordura e conservantes já foi vista como uma forma de ascensão social entre aqueles que não tinham acesso a biscoitos recheados e a hambúrgueres. Constata-se hoje o crescimento relevante de pessoas com acesso a alimentos industrializados e sem consumo cotidiano de alimentos saudáveis, como frutas, verduras e proteínas in natura.
Aqui, percebe-se uma questão importante relacionada à obesidade: muitos daqueles que antes estavam sujeitos ao risco da fome podem estar obesos. Esse fato pode ser explicado por uma condição simples de mercado: alimentos industrializados são mais baratos, já que sua produção, distribuição e armazenagem têm logística menos complexa que frutas e verduras. Em outras palavras, conservar e distribuir bananas é muito mais caro que o mesmo com chicletes sabor artificial de banana.
Considerando que, de acordo com o SUS, são 20 milhões de pessoas com sobrepeso e obesidade no Brasil, o Estado deve intervir. O Congresso Nacional deve convocar audiências públicas em câmaras de vereadores de todo o país, cujo propósito é coletar opiniões da sociedade civil, produtores de alimentos e especialistas. Tais informações subsidiarão um projeto de lei consistente para novas regras para o consumo de alimentos no país. Assim, com voz popular, será possível combater de fato a obesidade.