Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 23/08/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra a obesidade no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente os maus hábitos alimentares dos brasileiros e a falta de exercícios físicos, bem como a necessidade de uma ação conjunta do governo com o corpo social para solucionar os efeitos dessa problemática.

Mormente, é indubitável que a alimentação irregular dá impulso ao problema. Após a Terceira Revolução Industrial e o crescente processo de urbanização, a ingestão de alimentos industrializados se tornou inerente a cultura alimentar brasileira. Isso ocorre porque, com o ritmo frenético das cidades, o consumo de produtos processados que possuem maior facilidade de preparo, tornaram-se mais recorrentes. Entretanto, estes possuem baixo valor nutricional e alto valor calórico, levando os brasileiros ao aumento de peso e, consequentemente, a vulnerabilidade a diversas doenças, como o aumento do risco de câncer, doenças cardíacas e diabetes em até 30%, além da diminuição da expectativa de vida em 3 a 5 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Assim, somando-se ainda ao sedentarismo promovido pela população — segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas um a cada cinco brasileiros pratica exercícios físicos e atividades como caminhadas—, o número de obesos no Brasil tende a crescer. Por conseguinte, o sistema de saúde público fica sobrecarregado, devido a grande demanda de adiposos que necessitam de auxílio, tornando-se ainda mais ineficiente.

Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperem para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve veicular propagandas midiáticas, com o fito de orientar e demonstrar aos brasileiros como devem ser feitas suas dietas e formas rápidas de se preparar alimentos naturais, além de incentivar a prática de exercícios físicos, de modo a possuírem uma vida saudável e uma alimentação balanceada. Ademais, a Receita Federal, em parceira com o Ministério da Saúde, deve destinar uma parte das arrecadações para a melhoria do sistema de saúde, principalmente nos setores de auxílio à pessoas acima do peso, reformando as estruturas e capacitando mais profissionais na área para que se tenha um programa eficiente. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.