Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 23/08/2018
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro a cima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava a base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana da sociedade brasileira para diminuir os efeitos da obesidade. Diante desse cenário, não há dúvidas de que os efeitos da obesidade na saúde pública está amparada na baixa expectativa de vida, bem como no aumento dos gastos públicos para atenuar tamanha problemática.
Historicamente, o excesso de peso vem crescendo na sociedade brasileira desde a década de 1930. Momento esse, onde o Brasil deixava de ser tipicamente agrário para tornar-se industrializado. Nesse viés, é fato que o consumo desenfreado de alimentos industrializados, como fast-food e bebidas açucaradas, assim como negligenciar a prática de exercícios físicos contribuem para diminuir a expectativa de vida da sociedade. Prova disso são os dados da OMS, a qual evidencia que cerca de 40% dos adultos brasileiros estão a cima do peso, o que, consequentemente, propicia a sofrerem alguma mazela ligada a obesidade, diabetes, pressão alta e infartos do miocárdio, por exemplo.
Ademais, existe um agravante: a maioria da população que sofre com a obesidade procura tratamento junto ao Sistema Único de Saúde. Isso, por conseguinte, eleva os gastos com a saúde da população brasileira, fazendo com que cada vez menos tenha-se verbas destinadas a essa problemática. Exemplo disso é a queda acentuada de cirurgias bariátricas (redução do estômago) por falta de quantias significativas para esse fim. Além disso, a alta demanda de indivíduos que buscam junto aos postos de saúde medicamentos para combater a obesidade, como inibidores de apetite, ratifica a carência de educação nutricional que a maioria da população possui, ou seja, se cada pessoa a cima do peso fizesse uso moderado de alimentos industrializados e, ao mesmo tempo, inclui-se uma alimentação natural, os efeitos da obesidade no país reduziria seus índices rapidamente.
Portanto, é indubitável que medidas em conjunto sejam tomadas para que os efeitos da obesidade na saúde pública sejam atenuadas. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura, juntamente com o poder Legislativo desenvolver ações para incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis e a prática de exercícios físicos, por meio da redução de impostos acerca de alimentos orgânicos e derivados nas escolas e gôndolas de supermercados, assim como taxar a venda de industrializados nas cantinas escolares, a fim auxiliar na educação nutricional da população mais jovem, uma vez que esses são mais suscetíveis a se alimentarem erroneamente. Dessa forma, a realidade vigente distanciar-se-á do mito grego e os sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.