Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 23/08/2019
O mundo enfrenta um paradoxo alimentar, enquanto parte da população sofre com a desnutrição, os índices de obesidade são crescentes. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população está acima do peso. Nesse sentindo, os impactos desse número na saúde pública e na economia do país refletem a falta de educação nutricional da população e a superexposição ao marketing da indústria alimentícia.
Primeiramente, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, apenas cerca de 25% da população é capaz de compreender as informações nos rótulos dos produtos. Diante desse fato, percebe-se a gravidade da falta de educação nutricional do país desde a omissão dos pais e das escolas, até o restrito acesso à profissionais como nutricionistas na rede pública de saúde. Por consequência, sem a orientação adequada, a sociedade negligencia a importância de hábitos alimentares saudáveis que aliados ao sedentarismo impactam no aumento de casos de obesidade.
Além disso, analogamente ao estado de menoridade teorizado pelo filósofo Immanuel Kant em que o homem se encontra manipulado e suas decisões são tomadas pela influência do outro, é válido ressaltar o papel da publicidade abusiva da indústria alimentícia. De fato, esse setor aproveita-se da desinformação da população para incentivar o consumo de alimentos hipercalóricos com alto teor de gordura e sódio que tornam-se fator de risco para doenças como diabetes e hipertensão,o que sobrecarrega os gastos do sistema público de saúde. Sendo assim, é urgente que Estado e sociedade repensem a obesidade como uma epidemia que necessita de prevenção.
Portanto, o Estado, por meio de ação integrada do Ministério da Saúde e do Educação, deve ampliar o acesso aos nutricionistas nas escolas e nos postos de saúde, como também elaborar projetos de educação nutricional com palestras e oficinas desde a educação infantil, a fim de instruir e orientar a população sobre a necessidade de uma boa alimentação. Por sua vez, as agências governamentais, precisam aumentar a fiscalização do marketing de alimentos e repensar ações, como a adoção de medidas informativas nos rótulos e propagandas que alertem os riscos para a saúde do consumo em excesso, a exemplo dos cigarros, com o intuito de possibilitar a construção de uma sociedade mais saudável e impactar positivamente no desenvolvimento socioeconômico do pais.