Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 02/09/2018
Na Antiguidade, os filósofos pregavam, além do culto ao pensamento racional, o culto ao corpo saudável - dialogando com a máxima “mente sã, corpo são.” Na atualidade, os avanços tecnológicos propiciaram um melhor entendimento a respeito da saúde corporal do ser humano, mas, ainda assim, a obesidade se destaca como um debate central no século XXI: 30% da população mundial está obesa, segundo a Organização Mundial de Saúde. Decorrente da má alimentação e do sedentarismo, essa doença crônica é também uma realidade no Brasil, tornando-se evidente a necessidade de buscar caminhos para vencer os desafios que tal patologia configura para a sociedade.
Os ultraprocessados são hoje responsáveis por grande parte da conjuntura gerada pela má alimentação, que culmina no quadro clínico da obesidade. Contendo açúcares e sódio em excesso, esses alimentos são denominados por Carlos Monteiro - médico e professor da USP especialista em nutrição - “fórmulas industriais”. Além de seu expressivo caráter artificial, os ultraprocessados são hipercalóricos e dotados das chamadas “calorias vazias”, ou seja, são deficientes em nutrientes necessários à homeostase do corpo e geram acúmulo de gorduras “LDL” (colesterol ruim), que pode causar diabetes, hipertensão e cardiopatias. Em defesa dessa assertiva, é válido citar o documentário “Muito além do peso”, que debate o assunto em várias regiões do país, expondo as consequências negativas que a obesidade proporciona na vida do ser humano.
Ademais, o sedentarismo também merece destaque como agente promotor da obesidade. É importante ressaltar que o sedentarismo não é necessariamente aquele que não pratica atividade física, e sim o indivíduo que não gasta de maneira suficiente as calorias que ingere ao longo das refeições. Desse modo, nota-se a demanda pela promoção de uma cultura que preze por práticas desportivas, visando subverter a realidade brasileira no que diz respeito à inatividade.
Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto em palestras elucidativas por meio de exemplos, dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, não seja complacente com a cultura da banalização da saúde. Por fim, é essencial que o Ministério da Educação inclua aulas interdisciplinares nas grades curriculares do ensino fundamental e médio - uma vez que a escola é uma instituição chave na formação do cidadão crítico autônomo. Essas aulas devem ser ministradas por meio do uso de cartilhas informativas, visando despertar nos indivíduos a consciência da importância de uma alimentação de qualidade. Assim, o Brasil poderá reduzir a obesidade e instituir uma cultura de “corpo são.”