Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 03/09/2018

No Brasil hodierno, a obesidade é uma das principais questões relacionadas à saúde pública. Nesse contexto, tal problemática não deve ser vista somente como resultado das novas práticas alimentares, mas também como consequência da presença de problemas psicoemocionais na sociedade. Á vista disso, faz-se necessária a adoção de ações conjuntas entre Governo e sociedade a fim de reverter o cenário.

Em primeira análise, é possível identificar as recentes mudanças sociais no país como uma das principais razões para os alarmantes índices de obesidade. A alteração se deve, sobretudo, ao progresso econômico brasileiro durante o começo do século, fator o qual, apesar de aplacar a fome, impulsionou o consumo de produtos industrializados. Esses, no entanto, são, muitas vezes, calóricos, potencializando os riscos de sobrepeso, principalmente quando aliados ao sedentarismo, também comum nas sociedades globalizadas. Por esse viés, dados do Ministério da Saúde indicam que o número de obesos no Brasil cresceu 60% no período entre 2006 e 2016, sinalizando a urgência em incluir a alimentação saudável e a prática de atividades físicas na agenda capitalista.

Com efeito, em sua obra “Patty Palito”, a escritora Susan Klassen retrata uma adolescente obesa que, sem acompanhamento profissional, se torna anoréxica. O livro, acima de tudo, expõe a relação direta entre os distúrbios alimentares e fatores emocionais. Desse modo, a luta contra a obesidade não envolve somente uma mudança de hábitos, mas, principalmente, mais atenção a saúde psicológica. Por esse prisma, na visão de especialista Rodrigo Lamounier,o aumento de peso decorre, na maior parte dos casos, de quadros como o da ansiedade, onde a comida se torna um dos únicos prazeres capaz de preencher o vazio emocional. Sendo assim, a presença de problemas como a depressão, por exemplo, é uma ameaça à saúde pública, uma vez que esses pacientes são suscetíveis a desenvolver a obesidade.

Destarte, na lógica de Durkheim, a obesidade se configura como um fato social patológico, já que, apesar de sua grande incidência, compromete a ordem social do país. Dessa maneira, como todo fato social diz respeito à consciência coletiva, é função de todo indivíduo buscar por um estilo de vida mais saudável. Isso deve ser feito, primeiramente, através de uma alimentação de alto valor nutricional em detrimento dos industrializados calóricos, além da adoção de atividades físicas, evitando o ganho de peso e, consequentemente, a obesidade. Por outro lado, o Ministério da Saúde deve garantir o acompanhamento psicológico a pacientes obesos, para que se trate não somente seus efeitos, como a diabetes, mas também suas causas, tornando essa luta mais eficiente.