Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 03/10/2018

Durante a Idade Média e os séculos que se seguiram, estar acima do peso era algo bem visto pela sociedade, visto que traduzia beleza, exuberância e riqueza. Atualmente, porém, além dos padrões de beleza terem se alterado, já são conhecidos os graves riscos à saúde que a obesidade causa. Diante disso, é necessário se repensar diversos hábitos comportamentais presentes na sociedade moderna.

A priori, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, diz em suas obras que se vive uma “modernidade líquida”, na qual tudo é efêmero e nada mais é feito para durar, mas para se adaptar a rapidez do dia a dia. Com isso, percebe-se que o tempo dedicado à alimentação perde espaço na rotina do cidadão contemporâneo, dando lugar a opções que muitas vezes fazem mal à saúde. Dessa forma, refeições completas e equilibradas são trocadas por alimentos instantâneos ou por redes de “fast food”, extremamente danosas ao corpo à longo prazo e que podem desencadear doenças como diabetes e hipertensão. A partir desse fato, surge um movimento contrário chamado “Slow food”, cuja proposta é que se valorize o tempo dedicado à alimentação, que se evite alimentos industrializados e que se aproveite verdadeiramente o que está sendo comido. Com isso, valoriza-se a saúde e o bem estar rotineiro.

Ademais, não obstante o perigo ao corpo, a obesidade também pode representar um mal à saúde mental. Dessa maneira, torna-se claro que o sujeito o qual padece dos males físicos de estar acima do peso recomendado também sofre psicologicamente quando a sociedade em que está inserido implanta no inconsciente coletivo que ser bonito significa ser magro. Logo, esse indivíduo se encontra marginalizado, além de estar frequentemente sujeito ao “bullying”(suposta brincadeira que ocorre repetidas vezes, ridicularizando alguém devido a alguma característica pessoal). Diante desse fato, surgem diversos movimentos que buscam mudar o conceito de beleza, a qual se trata do que se é em essência, e não de estética, e que promovem a aceitação de todas as pessoas, como o movimento contra a “gordofobia”(aversão a pessoas gordas).

Portanto, a obesidade é uma questão que embora pareça simples, possui muitas implicações. Logo, é dever do Ministério da Saúde promover, por meio de canais de televisão, propagandas que, além de atentar a todos os cidadãos quanto aos riscos da obesidade à saúde, também conscientizá-los que somos todos seres de igual valor na sociedade, independentemente do aspecto físico. Além disso, escolas com apoio de ONGs devem realizar palestras aos jovens e crianças sobre os perigos do “bullying” e à aceitação dos colegas considerados supostamente diferentes. Dessa forma, então, se terá uma sociedade livre de preconceitos e com uma melhor saúde pública.