Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 29/10/2018

Em 2017, o Brasil assumiu junto à ONU o compromisso de combater o sobrepeso e o acúmulo excessivo de gordura entre a população, a fim de reduzir o número de indivíduos obesos no país. Entretanto, a obesidade ainda é tratada com indiferença, o que se mostra um grave problema social. Com efeito, a construção de uma sociedade que valoriza o bem-estar social pressupõe cuidadosa análise acerca da alimentação e do sedentarismo.

Em primeiro plano, persiste no Brasil o consumo de comida industrializada, capaz de facilitar os casos de obesidade. A esse respeito, a indústria alimentícia brasileira costuma utilizar gordura hidrogenada para aumentar o sabor e a durabilidade dos alimentos, bem como reduzir custos. Ocorre que tais gorduras, quando sintetizadas pelo organismo, aumentam a produção da lipoproteína de baixa densidade – conhecida popularmente como colesterol ruim – e potencializam os casos de sobrepeso. No entanto, não é razoável que, mesmo objetivando ser nação sustentável, a sociedade ainda seja negligente acerca da segurança alimentar por meio da prevalência de produtos industrializados.

De outra parte, a falta de atividade física favorece o crescimento ao índice de indivíduos obesos. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que homens e mulheres pós-modernos vivem subjugados ao excesso de atribuições diárias e do consumismo. Esse problema afeta os brasileiros, sobrecarregada o seu cotidiano e aumenta o sedentarismo, evidenciando que a cultura de excessos postulada por Zygmunt Bauman coloca em risco a saúde dos indivíduos. Todavia, enquanto o sedentarismo se mantiver, o país será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas contemporâneos: a obesidade.

Impede, pois, que sociedade e poder público cooperem para desconstruir os casos de sobrepeso. Nesse contexto, cabe aos indivíduos, por meio das mídias sociais, veicular conteúdos capazes de estimular a prática das atividades físicas, disseminando a data mundial de combate à obesidade – 11 de outubro –, a fim de fomentar a discussão em torno desse problema. Por sua vez, a Agência Nacional de Saúde Suplementar deve, por intermédio de resoluções oficiais, orientar a indústria alimentícia a reduzir o uso de gorduras hidrogenadas nos alimentos. Assim, a partir do combate à obesidade, será possível construir uma nação saudável.