Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 30/09/2018
No limiar do século XXI, a obesidade aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitas pessoas desenvolvem graves problemas de saúde, como a diabetes. Nesse contexto, é indispensável salientar que a má qualidade alimentar e a ausência de atividades físicas estão entre as causas da problemática. Diante disso, vale discutir as mudanças comportamentais do indivíduo contemporâneo e a importância da educação para a evolução do país, bem como a atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a qualidade alimentar e os exercícios físicos atuam diretamente na saúde dos indivíduos. Nesse sentido, o filósofo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “modernidade líquida”, que é capaz de explicar as mudanças comportamentais testemunhadas pela sociedade pós-moderna. De maneira análoga, o prazer imediato e o pouco cuidado com o futuro têm sido prioridades na vida do indivíduo brasileiro, que, a todo instante, opta pelo alimento mais saboroso - mas, nem sempre o mais saudável - e deixa de lado o que pode, de fato, sustentá-lo. Além disso, a ausência de atividades físicas na rotina das pessoas colabora para a problemática. Nesse viés, o educador físico Alexandre Von Humboldt explica que, a partir do momento em que a quantidade de calorias ingeridas na alimentação supera a quantidade “queimada”, o metabolismo acumula essa diferença energética em forma de gordura, o que pode desenvolver um potencial quadro de obesidade associado a diabetes.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Nessa lógica, o educador Paulo Freire sustenta a ideia de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus a esse conceito, é imprescindível a conscientização da população sobre a educação alimentar. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que apenas 2% dos alunos que estudam em colégios que contemplam a educação alimentar no currículo escolar apresentam sobrepeso, o que diverge da média nacional - 10%. Assim, nota-se que a falta de consciência alimentar está tornando-se o algoz de uma sociedade que se alimenta por aplicativos, escolhe o que vai comer pela entrega mais rápida e, cada vez mais, desconhece o significado real do alimento sobre a mesa.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para reduzir a obesidade no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação desenvolver um projeto nas escolas, de modo que os professores atuem para estimular a substituição dos alimentos ricos em açúcares e sais por frutas, hortaliças e grãos e a prática de atividades físicas. Espera-se, com essas medidas, que mais pessoas mudem seus comportamentos.