Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 17/10/2018
Na obra “A República” (380 a.C.), o filósofo Platão idealiza uma organização política pautada em uma harmonia social completa, livre de conflitos e adversidades. Desde então, essa filosofia impulsionou o desejo das nações de alcançarem esse feito. Contudo, atualmente, a questão da obesidade tem afastado o Brasil na conquista desse objetivo. A partir disso, é válido analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão.
De início, ressalta-se que o poder governamental mostra-se inerte ao não garantir a cura para a obesidade. Isso porque falta investimento nos hospitais públicos, que carecem de uma equipe de profissionais que atendam o enfermo, o que impede a realização de um tratamento adequado na população. Contata-se, desse modo, que o contrato social foi rompido, já que segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado manter o bem-estar de toda a coletividade.
Ainda, pontua-se que falta engajamento coletivo para se lutar em prol de uma sociedade saudável. A explicação disso é que falta a criação de campanhas que conscientizem sobre os riscos de se tornar uma pessoa obesa, fator que acaba deixando a população vulnerável a essa doença. Um exemplo disso é que , segundo o Ministério da Saúde, nos últimos anos a quantidade de obesos aumentou em mais de 50%. Considerando as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para compreender esse fenômeno, percebe-se que a modernidade exerce coerção sobre as pessoas, fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos.
Evidencia-se, portanto, que a obesidade deve ser combatida. Por isso, é preciso que o Poder Executivo, juntamente com o Ministério da Saúde, melhore a estrutura dos hospitais públicos, por intermédio da contratação de novos profissionais , tais como psicólogos e nutricionistas, a fim de garantir um tratamento adequado para as pessoas. Ainda, é necessário que o cidadão atue como agente social, em conjunto com a mídia socialmente engajada, por meio da divulgação de palestras e debates com especialistas sobre as consequências fisiológicas de ser uma pessoa obesa, a fim de criar um senso crítico no corpo social e ajudar na prevenção dessa enfermidade. Com isso, seria possível se aproximar dos ideais utópicos propostos por Platão.