Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 29/10/2018

Durante praticamente toda história da civilização humana, a maioria das pessoas vivam no limiar da fome e da desnutrição, sonhando com um horizonte repleto de comidas saborosas e abundantes. A ironia é que hoje muitos de nós vivemos naquele mundo mágico, onde podemos comer o que e quando quisermos. Entretanto, nesta versão, continuamos com dificuldades que tangem não somente a obesidade, mas também o sedentarismo e o leque de doenças que acompanham tais hábitos. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado é medida que se impõe.

Em primeira análise, cabe ressaltar o impacto negativo da publicidade sobre os hábitos alimentares do Brasil hodierno. Ao se veicular nas grandes mídias – de maneira exacerbada – propagandas que incentivam o consumo dos chamados “fast foods” em detrimento dos alimentos naturais e saudáveis, a poderosa indústria alimentícia corrobora para o caso endêmico da obesidade, uma vez que oferece alternativas baratas e pouco nutritivas para a mesa do brasileiro. De fato, como preconizado por Émile Durkheim, na medida em que o fato social é a maneira coletiva de pensar e agir, a personificação de tais práticas fez com que os índices de obesos ultrapassassem o de pessoas com fome, segundo dados do governo.

É notório, consequentemente, que junto a uma nutrição desequilibrada, a falta da prática de exercícios físicos configura-se como um problema de saúde pública. Isto porque, muitos casos de obesidade vêm acompanhados de complicações graves que afetam o organismo como um todo, refletindo no aparecimento de doenças, como diabetes, pressão alta, infarto, etc., além de ser vetor para o desencadeamento de danos psicológicos e distúrbios alimentares. Assim, um problema que poderia ser evitado ou até apresentar solução simples, transforma-se em um contratempo incessante que se reflete na qualidade e na expectativa de vida da população afetada.

Urge, portanto, que a tríade mídia, sociedade e governo cooperem para mitigar os índices de obesidade no Brasil. É imprescindível que o governo, através do Ministério da Educação, promova uma mudança da base curricular das escolas de nível fundamental, a fim de tornar obrigatória a oferta de aulas de nutrição com um profissional adequado, objetivando ensinar as crianças desde cedo a importância de se manter hábitos saudáveis. Outrossim, cabe a mídia estimular práticas saudáveis na população, por meio de novelas, programas e propagandas que norteiem o pensamento crítico das pessoas a respeito da manutenção de comportamentos sadios. Dessa forma, poderemos fazer do futuro o que lá atrás foi idealizado por aqueles que não tiveram a chance de conhecer nossa realidade.