Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 29/10/2018

No limiar do século XXI, a obesidade aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitas pessoas desenvolvem quadros graves de problemas de saúde, como a diabetes. Nesse contexto, é indispensável salientar que a má qualidade nutricional e a ausência de atividades físicas estão entre as causas da problemática, haja vista que a obesidade é uma condição médica influenciada, sobretudo, pela alimentação. Diante disso, vale discutir as mudanças comportamentais do indivíduo contemporâneo e a importância da educação para a evolução do país.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a epidemia de obesidade é resultado da alteração dos padrões de alimentação. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “modernidade líquida”, que é capaz de explicar as mudanças comportamentais testemunhadas pela sociedade pós-moderna. De maneira análoga, o prazer imediato e o pouco cuidado com o futuro têm sido prioridades na vida dos indivíduos, que a todo instante optam pelo alimento mais saboroso - mas, nem sempre, o mais saudável - e deixa de lado o que pode, de fato, sustentá-lo. Além disso, a ausência de atividades físicas também colabora para a problemática. Seguindo essa linha de raciocínio, o educador físico Alexandre Humboldt explica que, a partir do momento em que a quantidade de calorias ingeridas na alimentação supera a quantidade “queimada”, o organismo acumula essa diferença energética em forma de gordura. Em consequência dos fatos elencados, as doenças crônico-degenerativas, como a diabetes e a hipertensão, são favorecidas.

Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Nesse viés, o educador Paulo Freire sustenta a ideia de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus a esse conceito, é imprescindível a difusão de informações sobre as práticas alimentares e nutricionais saudáveis. De forma similar, a educação alimentar configura-se como uma alternativa para a formação de adultos conscientes que preocupam-se com a saúde e com o bem-estar. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que a obesidade já é uma realidade para 18,9% dos brasileiros, mas que a educação alimentar não contempla nem 10% dessa parcela da sociedade. Sendo assim, é imperativo uma atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para reduzir a obesidade no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação aumentar a fiscalização sobre as escolas, de modo a pressionar as instituições para inserir a disciplina de Educação Alimentar nos currículos escolares, que deve contemplar informações nutricionais. Com isso, a obesidade será atenuada mediante a conscientização dos alunos.