Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 30/10/2018

Fernando Botero é um artista colombiano conhecido por suas obras com personagens volumosos. Fora do mundo artístico, a obesidade e o sobrepeso também estão presentes na sociedade brasileira, atingindo mais de 50% da população, segundo dados do Ministério da Saúde. Fatores como o ritmo de vida moderna e o sedentarismo contribuem para o aumento desse número, tornando-se necessário o debate a fim de mudar tal quadro.

Após a Primeira Revolução Industrial, novas rotinas trabalhistas fizeram as pessoas perderem sua tradição alimentar saudável, devido ao pouco tempo para comer, causado pela dinamicidade industrial. Desse modo, a busca por “fast-foods” e alimentos industrializados cresce, cada vez mais, por representarem uma opção rápida de alimentação. Entretanto, tais opções são muito calóricas e contêm altos teores de açúcar, sal e gordura, o que contribui para o aumento da obesidade e, consequentemente, de doenças como diabetes, hipertensão e cardiopatias. Aliado a isso, o sedentarismo favorece o agravamento de tal cenário.

Ademais, esse estilo de vida pós-moderno, explicado pelo sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, deixa a população mais suscetível à compulsão alimentar, transtorno que cria a necessidade em alguém de comer grandes quantidades de alimentos em curtos intervalos de tempo. Isso ocorre porque o estresse causado pela agitação e pressão contemporâneas fazem as pessoas comerem, com mais frequência, alimentos hipercalóricos, uma vez que esses proporcionam “momentos de prazer”.

Portanto, é preciso que o Ministério da Saúde invista em programas alimentares à população, por meio da criação de oficinas culinárias, objetivando instruir a sociedade no preparo de alimentos saudáveis e de fácil preparo, para que ela não precise recorrer aos “fast-foods”.  Além disso, a mídia deve usar seu poder de influência, por meio de programas como o “Bem-Estar”, para alertar os brasileiros sobre os riscos à saúde trazidos pela obesidade. Por fim, o Governo Municipal deve trabalhar na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes, por meio da implantação de academias comunitárias em praças públicas, objetivando o incentivo à prática de exercícios em sua população e, consequentemente, reduzindo o sedentarismo entre ela. Assim, a obesidade estará presente somente nas obras de Botero.