Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 31/10/2018

“O importante não é viver, é viver bem”. Atribuído a Platão, o adágio grego implica dizer que uma vida sem qualidade não é suficiente para a completude humana. Essa visão filosófica, embora já milenar, parece bastante atual, sobretudo quando se discute a questão da obesidade no Brasil.

A questão da obesidade já é considerada um dos grandes desafios da saúde pública no mundo e no Brasil. A Organização Mundial de saúde, por exemplo, já considera a obesidade uma pandemia global em pleno século XXI. É o que corroboram dados do Ministério da Saúde, tais como crescimento do número de adultos obesos em mais de 100% na última década ou o fato de que um terço das crianças sofre de obesidade. O mais interessante, nesse contexto, é que a indústria alimentícia, a regulação governamental e a educação nutricional, ao mesmo tempo em que se apresentam como os maiores vilões, também emergem, em muitos estudos, como os fatores mais críticos para o sucesso no combate à questão da obesidade.

Do mesmo modo que descrito na física newtoniana, em que toda ação causa uma reação, a obesidade leva a uma série de consequências, como o aumento no número de casos de diabetes, cardiopatias, problemas ósseos e endocrinológicos. Além disso, disfunções de ordem psicológica, a exemplo da depressão e baixa autoestima também se manifestam entre indivíduos que sofrem com a obesidade. Tudo isso, por sua vez, tende a impactar o orçamentos públicos, sobrecarregar o SUS e exigir, cada vez mais alocação de recursos públicos.

Mas, afinal, como lidar com a questão da obesidade no sistema de saúde pública? Primeiro, é importante repensar a legislação brasileira, de forma a se focar na profilaxia e não na remediação da obesidade. Assim, o Poder Legislativo, por meio da revisão de leis já existentes ou mesmo da edição de novas leis, deve determinar novos parâmetros nutricionais para se evitar a obesidade, como o estabelecimento de tabelas nutricionais diferenciadas, tributação diferenciada de alimentos saudáveis e maior regulação na indústria alimentícia, a fim de se evitar o uso excessivo de açúcares, gorduras saturadas e outros componentes correlacionados ao aumento da obesidade.

Em segundo lugar, é preciso que o governo fiscalize com mais ênfase, através de órgãos especializados, a produção dos alimentos industrializados, em especial aqueles voltados às crianças..  Finalmente, deve-se atuar também através da educação, de forma que governo e famílias atuem junto às escolas, estimulando e incentivando a inserção de discussões sobre alimentação saudável e a prática de exercícios, de forma cada vez mais criativa e constante, a exemplo do estabelecimento de parcerias com influenciadores digitais, grêmios acadêmicos e empresas socialmente responsáveis.