Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 01/11/2018
Antes de cometer suicídio, ao ingerir barbitúricos, em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração agradecendo ao Brasil por ter lhe acolhido tão bem. Radicou-se aqui devido à perseguição nazista na Europa. Fascinado com a nova casa, Zweig redigiu um ensaio cujo título ainda reverbera: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando observados os efeitos negativos da obesidade na saúde pública, conclui-se que sua visão não se materializou. Nesse âmbito, dois aspectos são preponderantes: a pimelose na infância e a má alimentação dos adultos.
Em primeiro lugar, os hábitos adquiridos no início da vida, podem acabar perdurando por muito tempo e serem prejudiciais. Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde, em 2016, cerca mais 7% das crianças brasileiras com até 5 anos estavam obesas. Isso é um problema na medida em que jovens nessa idade, em geral, têm suas refeições preparadas por terceiros, o que evidencia o desconhecimento por parte dos pais e responsáveis sobre como deve ser a alimentação infantil, um grande risco já que, sem uma dieta equilibrada, a formação e o desenvolvimento dos sistemas do corpo humano podem ser afetados.
Em segundo lugar, a mudança dos hábitos alimentares trouxe certa praticidade que ora pode se mostrar nociva à saúde. De acordo com um levantamento feito pelo Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, o consumo de sucos artificiais e refrigerantes, caiu pela metade, enquanto a ingestão de frutas e hortaliças cresceu 2%. Contudo, apesar de essa melhora nos índices, ainda há muito o que se fazer para reduzir a obesidade já que, a mesma pesquisa indicou que a pimelose mais do que dobrou durante esse período, o que deixa claro que os brasileiros estão preferindo consumir alimentos de rápido preparo e de alto valor calórico aos que possuem melhor valor nutricional.
Destarte, visando mitigar os efeitos negativos da obesidade na saúde pública, cabe ao Ministério da Educação, junto com o Conselho Federal de Nutrição, a formulação de uma disciplina direcionada ao pais e responsáveis, a ser lecionada nas escolas pelos nutricionistas dos municípios, em que sejam ensinados o preparo de cardápios saudáveis para as crianças, com o intuito de promover melhores hábitos alimentares nas famílias e reduzir complicações médicas na infância. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Saúde,em atuação conjunta com o Poder Legislativo, proponham uma lei em que se estabeleça a diminuição gradual a cada ano do percentual de açúcar, de sal e de gorduras nos produtos industrializados, a fim de garantir que a população se alimente com produtos de melhor valor nutricional e menos calóricos e, assim, reduza os casos de sobrepeso e pimelose em todas as faixas etárias.