Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 01/11/2018

Ao versificar “Tinha uma pedra no meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade denunciou, metaforicamente, os flagelos da existência humana. Embora em conjunturas díspares, essa “pedra” pode simbolizar, na contemporaneidade, a mácula da obesidade no Brasil, haja vista os efeitos devastadores à saúde pública do país.

De início, é relevante problematizar a mudança de hábitos na pós-modernidade, acertadamente pontuada no livro “Gordos, magros e obesos: uma história de peso no Brasil”, de Denise Bernuzzi. De acordo com a professora, são propulsores do flagelo as refeições fora de casa, o sedentarismo e o sono irregular. Além disso, insere-se o “fast food”, o qual, devido à praticidade, ao baixo custo econômico e à falta de informação, apresenta, lamentavelmente, concorrência desleal com os alimentos de origem orgânico-familiar.

Vale ressaltar, ainda, os impactos deletérios do sobrepeso. No Brasil, em consonância com o Ministério da Saúde, a obesidade cresceu 60% nos últimos dez anos. Sob a ótica médica, essa realidade implica diabetes melito, acidente vascular cerebral, cardiopatias e hipertensão, acarretando inchaço no sistema público de saúde. Nesse sentido, a deficiente educação alimentar e os hábitos do cidadão urbano brasileiro são determinantes no comprometimento de sua qualidade de vida, com a subtração do direito à saúde previsto no Art. 196.

Logo, cabe aos Ministérios da Agricultura e da Saúde ampliar a tributação sobre produtos açucarados e hipercalóricos do “fast food” e diminuí-la em artefatos de origem orgânica, além de incrementar a produção por subsídios estatais conseguidos por meio da canalização de verbas orçamentárias para o setor. Ademais, cabe às escolas a promoção de hortas orgânicas e de disciplinas que discutam a temática de maneira aprofundada, com a presença de nutricionistas e de nutrólogos, com ênfase no grave custo social do sedentarismo e dos maus hábitos alimentares, de modo a lograr uma sábia formação educacional alimentar.