Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 04/09/2019
Desde a consolidação do capitalismo no século XVI e a ampliação das jornadas de trabalho no Brasil, o ser humano vem se distanciando dos cuidados com a saúde. A necessidade de atender a uma demanda exigente das tarefas diárias, em conjunto a fatores econômicos e sociais, contribui para uma sociedade acelerada e sintética, recheada de problemas relacionados à má alimentação e, principalmente, à obesidade. Desse modo, é fundamental analisar as causas e os efeitos da problemática em questão.
Em primeiro lugar, nota-se o comportamento inadequado da população relativo às práticas saudáveis. A rotina dinâmica da sociedade contemporânea adapta-se ao conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, visto que a procura por alternativas imediatas e pouco cuidado com o futuro são a realidade dos indivíduos que negligenciam a alimentação, a fim de cumprirem lotadas agendas de compromissos. Além de não haver preocupação com os aspectos nutricionais, uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comprova que apenas um a cada cinco brasileiros pratica exercícios físicos e atividades como caminhadas. Tais atitudes, por colocarem em xeque a qualidade de vida, devem ser seriamente reavaliadas.
Outrossim, está a falta de preparo do ser humano para lidar com a realidade dinâmica ao mesmo tempo em que cuida de sua saúde. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. As escolas brasileiras, entretanto, negligenciam a saúde dos estudantes ao não os instruir sobre os riscos oferecidos por uma rotina de nutrição desbalanceada. Como reflexo da ignorância frente aos hábitos alimentares ideais, o número de pessoas acima do peso no País já é maior do que a metade da população, atingindo 52% em 2015, segundo o Ministério da Saúde. O mais preocupante, entretanto, são os frutos desse problema: além de desequilíbrios psicológicos, como a bulimia, o sobrepeso abre caminho para a hipertensão, a diabetes e muitas outras consequências físicas que podem trazer resultados trágicos.
Urge, portanto, a necessidade de combater os alarmantes casos de adiposes no país. Para isso, cabe ao Ministério da Educação juntamente ao terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – promover campanhas e palestras educativas nos mais variados locais, principalmente em escolas, incentivando uma boa alimentação e enfatizando os efeitos positivos dos exercícios e atividades físicas. Em consonância, é preciso que o governo invista na criação e reestruturação de centros esportivos estimulando pessoas a buscarem tais ações. Por fim, como a filosofia nos mostra com Platão: “O importante não é apenas viver, mas viver bem”