Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 07/04/2019

O desejo de um corpo perfeito, enquadrado nos padrões sociais impostos, é, em geral, utópico para a grande massa brasileira. Isso, pois, a cultura dos fast-foods, alimentos altamente calóricos, surge como uma alternativa que condiz com a situação financeira e a disponibilidade de tempo da maioria dos brasileiros. Contudo a indústria cultural insiste em impor um modelo corpóreo que requer uma dieta controlada e a base de alimentos caros, fora das condições financeiras da maioria da população. Essa falta de equilíbrio entre os extremos é a principal causa da obesidade mórbida e desnutrição.

A otimização do tempo tornou-se uma preocupação presente. O sociólogo Marx, em suas teorias, afirmava que a quantidade excessiva de trabalho tornava o trabalhador não humanizado. Do mesmo modo, contemporaneamente, o excesso de trabalho faz com que a sociedade não possa optar por uma alimentação saudável, uma vez que essa exige tempo para o preparo. Com isso, torna-se viável o consumo dos fast-foods. Essa alimentação rápida e acessível economicamente é altamente calórica, portanto, quando consumida rotineiramente, aumenta os índices de obesidade. Isso, é resultado de um trabalho não humanizado uma vez que impossibilita a alimentação saudável.

Contudo, a indústria cultural insiste em mascarar a realidade diária da população tentando convence-la de que é possível estar dentro dos padrões corpóreos. Muitos, influenciados pelas ideologias de estética e padrões, buscam rotineiramente seguir dietas rigorosas, controladas, com falta de nutrientes, e, portanto, abusivas que, assim como a obesidade, prejudicam a saúde do cidadão. Essa falta de equilíbrio nos leva a compreensão de que, mesmo sendo paradoxais, obesidade e desnutrição fazem parte do mesmo patamar patológico-ideológico : o capitalismo dos extremos, que, ao mesmo tempo que impede uma alimentação saudável, obriga, por meio de padrões corporais, dietas abusivas.

Portanto nota-se que a falta de equilíbrio entre obesidade e desnutrição compromete a qualidade de vida dos brasileiros. Com isso, é necessário que o governo federal, por meio do Ministério da Cidadania, garanta jornadas de trabalho que possibilitem uma alimentação saudável, diminuindo a carga horária ou fornecendo as refeições, com acompanhamento nutricional, aos trabalhadores. Da mesma forma, diminuir os impostos sobre os alimentos saudáveis auxiliaria no combate a cultura dos fast-foods. Além disso, como forma de combate a desnutrição causada por dietas rigorosas, o Ministério da Cultura deverá intervir de modo que se propague, na mídia e nas escolas, o conceito de que dietas abusivas, sem acompanhamento nutricional, apenas para satisfazer um padrão imposto, são prejudiciais à saúde. Dessa forma, alimentando adequadamente a população, o capitalismo dos extremos diminuirá, e a sociedade, mais humanizada, poderá desfrutar de uma vida saudável.