Os efeitos da obesidade na saúde pública
Enviada em 19/04/2019
“Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação”, a frase da nutricionista e chef, Bela Gil, fundamenta a importância da dieta em meio ao desequilíbrio alimentar do mundo contemporâneo. Nesse sentido, em uma sociedade sintética e ditada por um ritmo frenético de trabalho, a preferência por uma alimentação irregular parece aceitável, embora dissociada de saúde. Com efeito, torna-se evidente que, diante de um cenário caótico de saúde pública, a obesidade surge como menor problema, de modo que é fundamental entender seus efeitos e propor maneiras de os combater.
Em primeira análise, em economias de rápido crescimento, como Brasil e México, a ascensão da classe média é acompanhada pela popularização e consumo desenfreado de alimentos processados que, a despeito de saborosos são, na verdade, ricos em sódio, gordura saturada e de baixo teor nutricional. Nessa perspectiva, aumentam-se não só os índices de desordens estético-hormonais, mas ainda, de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos, as quais, se não tratadas, podem trazer resultados trágicos. Prova disso, são os dados divulgados pelo Jornal Estadão, de São Paulo, segundo os quais, o número de brasileiros mortos por complicações decorrentes da obesidade triplicou nos últimos dez anos.
Outrossim, convém frisar que o mundo pós-moderno já não incentiva atividades de lazer voltadas ao dinamismo corporal, antes, fomenta uma geração apática, sedentária e escrava do fast-food. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de indivíduos acima do peso já chegava a 52% só em 2015, com crianças e adolescentes como a faixa mais vulnerável, situação que leva tanto os pais a um estado de alerta, quanto a uma possível sobrecarga do sistema de saúde pública no país. De modo que, percebe-se, então, certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas e seus efeitos.
Diante disso, fica claro, portanto, que a fim de reduzir os impactos desse mal no país, é mister que as escolas públicas, em um contexto de reeducação alimentar, ofereçam opções menos calóricas e nutritivas e, por extensão, médicos e nutricionistas promovam palestras e aulas de gastronomia aos docentes, para que orientem, desde cedo, quanto à importância de uma dieta saudável e equilibrada. Com isso, cabe à indústria alimentícia, em parceria com a mídia, apoiar a divulgação de anúncios televisivos e propagandas em redes sociais que incentivem quanto ao dinamismo corporal e combatam o sedentarismo. Só assim, será possível enxergar a alimentação, de fato, como um ingrediente essencial na transformação de que a sociedade precisa.