Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 23/04/2019

“A sensação da pressa é essencial para compreender a modernidade.” Essa frase do sociólogo alemão Harmut Rosa retrata o cotidiano do mundo globalizado, no qual as pessoas vivem de um modo acelerado. Nesse contexto, essa pressa do cotidiano acaba por afetar a saúde pública, pois, com o tempo mais reduzido, as pessoas acabam por consumir alimentos “fast food”, os quais são de rápido preparo, porém, com maior quantidade de ingredientes maléficos, como o sódio e as gorduras. Desse modo, o índice de obesidade na população tem aumentado significativamente, o que afeta não só a saúde física, a exemplo das doenças arteriais, como também o bem estar mental.

Nesse sentido, a alta prevalência de doença arterial coronariana está intrinsecamente relacionada à obesidade (definida como índice de massa corporal maior ou igual a 30). Assim, segundo a Organização Mundial da Saúde, as mortes por doenças vasculares representam 31% dos óbitos a nível global. Dessa forma, a gordura adquirida devido à má alimentação acumula-se, progressivamente, na  parede íntima dos vasos e, consequentemente, reduz o fluxo de sangue em artérias importantes, como as coronárias. Portanto, essa diminuição do aporte sanguíneo pode resultar em angina (dor precordial) e até mesmo em infarto agudo do miocárdio, quando a placa de gordura é rompida.

Além disso, o excesso de gordura corporal acaba por gerar impactos na saúde mental do indivíduo. Nesse cenário, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) relata estudos que comprovam que uma dieta rica em gorduras saturadas e açúcares pode comprometer regiões do cérebro importantes para a memória. Ademais, o Mapa da Obesidade conclui que mais de 50% da população está obesa. Dessa maneira, grande parte da população mundial está com a saúde cognitiva em risco.

Destarte, é evidente o grave problema de saúde pública causado em decorrência da obesidade e a a urgente necessidade de preveni-la. Para tanto, é importante que o poder legislativo elabore projetos de lei que delimitem a quantidade de açúcares e gorduras na produção dos alimentos, para que se evitem doenças arteriais. Dessa maneira, para uma determinada meta de redução, a empresa receberia incentivos fiscais do governo. Por fim, é essencial que o Ministério da Educação inclua no currículo da educação básica aulas sobre saúde e educação alimentar, para que a consciência de hábitos saudáveis seja construída desde a infância. Nessa conjuntura, profissionais da saúde seriam direcionados, semanalmente, às escolas para realizar aulas que abordassem as causas e consequências da obesidade, as formas e evitá-la, além da importância da prática de exercícios físicos. Assim, seriam utilizados materiais como vídeos, imagens, mapas mentais e dados estatísticos.