Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 17/05/2019

Aprovada no final do século XX, a Carta Magna que regulamenta a sociedade brasileira define como objetivo fundamental da República, no artigo 3º, promover o bem de todos os cidadãos. Ademais, compromete-se, especificamente, a assegurar o direito à saúde de qualidade. Todavia, a epidemia mundial da obesidade, crescente no contexto nacional, vem se tornando um desafio para a efetiva construção dessa realidade conferida na Lei. Nesse sentido, dada sua importância, convém analisar as principais consequências dessa negligente situação à saúde pública.

Em primeiro lugar, a crescente taxa de obesidade no país possui impactos de cunho econômico. Atualmente, mais da metade da população brasileira está acima de seu peso ideal e, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de um quinto está obesa. Destarte, em razão desse alto índice e por acarretar sérias consequências físicas, a obesidade é considerada um problema de saúde pública. Em vista disso, uma vez que a quantidade de pessoas susceptíveis à obesidade – as com sobrepeso – vem aumentando exponencialmente, de forma que essa doença é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma epidemia, o capital destinado a seu tratamento não será suficiente.

Contudo, o maior efeito desse quadro clínico diz respeito às consequências físicas e, sobretudo, psicológicas ao doente. Ao contrário do que se acredita, além de pressão alta e diabetes, o sobrepeso é causa de transtornos obsessivos, depressão e, até mesmo, suicídio, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Dessa forma, essa postura impacta fortemente a saúde da pública brasileira à medida que age conforme uma das filosofias de Platão – a que referencia sobre o erro de tratar o corpo superficialmente, negligenciando o interior –, haja vista que o sistema de saúde do Brasil promove apenas tratamento cirúrgico para esses pacientes.

Toda essa discussão, portanto, estabelece uma conduta que requer medidas improrrogáveis. Logo, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve tornar obrigatório ao ensino médio, na disciplina de biologia, os riscos da má alimentação e sedentarismo, haja vista que são as principais causas da obesidade. Ademais, mediante a atuação do Ministério do Desenvolvimento Social, deve promover campanhas que divulguem, na internet e nos rádios, de maneira didática e compreensível, o Guia Alimentar para População Brasileira, explicitando sua importância. Dessa forma, a partir da implantação dessas medidas, o Brasil poderá conferir, de maneira eficaz, o proposto pela Constituição.