Os efeitos da obesidade na saúde pública

Enviada em 10/07/2019

Segundo o historiador Yuval Harari, a expressão da mortalidade das populações está mudando de eixo, fazendo com que, em 2012, 620 mil pessoas tenham morrido em virtude da violência humana, enquanto 1,5 milhão morreram por complicações da diabetes. Tal cenário evidencia nova preocupação para os estados: os hábitos de alimentação da população e os problemas decorrentes desses, dentre os quais destaca-se a obesidade. Desse contexto, emerge uma discussão acerca dos efeitos e desafios oriundos dela. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de combate a essa situação, seja por representar um risco à saúde pública, seja por destacar outra problemática de grau maior.

No que concerne ao primeiro ponto, é válido salientar que o caso de obesidade pode representar um fator risco, favorecendo o aparecimento de diversas outras doenças e, assim, significando um risco para a integridade da saúde. Para elucidar esse ponto, a microbiologista  e escritora Alanna Collen, em “10% humano” defende que os casos de obesidade vêm acompanhado do desequilíbrio microbiano e fisiológico do corpo, possibilitando a manifestação de alergias, descompassos hormonais e problemas circulatórios. A partir disso, evidencia-se o risco que a obesidade representa à saúde do indivíduo, o que além de comprometer sua autonomia, o insere em condições de debilidade e sofrimento, impedindo sua afirmação enquanto cidadão. Assim, banalizar casos de obesidade é atitude, no mínimo, danosa.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar na íntima relação entre a má distribuição de renda e o aparecimento da obesidade de maneira endêmica. Para fazer jus a esse tópico, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que o nível de desigualdade social influi profundamente na dispersão e na intensidade dos males sociais. Posto isso, torna-se claro entender a obesidade como fruto da intensa segregação social e desigualdade enfrentada pelas sociedades. Isso é comprovado ao se analisar que o pico dos quadros de obesidade localiza-se em países emergentes, nos quais há intensa estratificação social. Desse modo, o ganho excessivo de peso, como um mal social, descortina um fator preocupante para as sociedades e reflete em efeitos desestabilizadores, comprometendo a vivência em coletividade.

Defronte ao que foi apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de reverter o cenário de obesidade, protegendo-se dos efeitos danosos derivados dessa. A respeito disso, é dever das Secretarias de Educação a inserção do projeto da educação alimentar na rotina estudantil, conforme já é feito nos países do Reino Unido, os quais despontam nesse quesito. Isso pode ser feito por meio da criação do dia da fruta, mudança no cardápio das merendas, aulas dirigidas por professores, acompanhando a faixa etária dos alunos, e distribuição de material educativo. Tudo isso visando a diminuição da incidência da obesidade, salvaguardando as gerações vindouras desse mal.